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Para diretor do BC, na visão do investidor externo, 'essa crise passa'

O diretor de Política Econômica do Banco Central, Altamir Lopes, destacou nesta sexta-feira, 19, que o fluxo do Investimento Direto no País (IDP) é algo perene, "que veio para ficar", e que ainda financia o déficit das transações correntes. "Investidor vem para o País porque sabe que crises são cíclicas. Além disso, com a depreciação cambial, a economia está barata", disse. "Na visão do investidor externo, essa crise passa", continuou.

Altamir concedeu entrevista coletiva realizada em Fortaleza, onde o BC divulgou o Boletim Regional, com o índice de atividade das cinco regiões do País. Na quinta-feira, 18, a instituição informou que, em 2015, o Índice de Atividade do BC (IBC-Br) teve baixa de 4,08%.

Balanço de pagamentos

Sobre o balanço de pagamentos, Altamir disse que a contração do setor de serviços (externos) é "impressionante", como, por exemplo, a queda dos gastos de brasileiros em viagens ao exterior. Isso, de acordo com ele, beneficia a economia local. "O turismo interno ganha força. Vi hotéis lotados aqui em Fortaleza, mesmo fora da época de alta temporada", salientou.

Altamir previu que, após um ajuste expressivo em 2015, haverá um novo ajuste do balanço de pagamento em 2016. Ele ressaltou que ainda levará um tempo para o mercado exportador retomar totalmente o fôlego que já teve no passado. "Passamos 20 anos vendendo para o mercado doméstico. E as empresas se voltam para o mercado doméstico quando há uma barreira externa ou crescimento interno, que foi o que aconteceu", disse. "Num cenário como este, se perdem os canais de exportação e essa reconquista é demorada", continuou.

O diretor disse que já é possível observar alguns sinais de substituição de importações, o que também é benéfico para o mercado doméstico, além de ajudar a continuidade do ajuste de transações correntes. Ele destacou também que o mercado financeiro trabalha com uma previsão de déficit em transações correntes "bem menor" do que a do BC para 2016.

PIB

Altamir Lopes reforçou nesta sexta-feira a projeção da instituição para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro segue em queda de 3,6% para 2015 e de baixa de 1,9% para este ano, conforme já constava do último Relatório Trimestral de Inflação (RTI), divulgado em dezembro. "Nossas projeções para o PIB constam apenas nos nossos documentos", afirmou. A próxima edição do RTI está prevista para o fim do mês que vem.

A projeção para este ano, de acordo com ele, está baseada na percepção de que poderá haver queda de alguns segmentos, mas não no mesmo grau visto no ano passado. Ele citou que os investimentos públicos e do setor mineral tiveram forte queda em 2015 e que a produção de caminhões, que tem peso grande no PIB, também recuou.

Altamir lembrou também que o impacto da construção civil em 2015 não deve ser visto neste ano. "Esses eventos podem até se repetir em 2016, mas não na mesma intensidade", considerou.

Inflação

O diretor de Política Econômica do Banco Central disse que os membros do Comitê de Política Monetária (Copom) têm objetivos muito claros na missão de levar a inflação para abaixo de 6,5% em 2016 e para o centro da meta em 2017. "Nosso cenário não contempla reduções dos juros, hoje em 14,25% ao ano", destacou, conforme escrito na apresentação do diretor.

Altamir disse que "todos nós sentimos na pele" quando a energia subiu 52% no ano passado e lembrou também do aumento dos preços dos combustíveis em 2015. "A inflação de energia e combustíveis é significativa", resumiu.

Ele ressaltou, porém, que as projeções do mercado mostram desinflação muito forte da inflação e dos preços administrados. Mais do que isso, Altamir disse que os preços administrados estão convergindo para o mesmo patamar dos preços livres. "O processo desinflacionário contratado é muito forte, mesmo do ponto das expectativas do mercado, que subiram", considerou.

O diretor comentou que no ano passado o câmbio nominal se desvalorizou, mas que a taxa de câmbio efetiva real também. Isso, de acordo com ele, é importante para que os ganhos dos empresários com um novo nível de dólar não sejam corroídos pela inflação. "É importante trabalhar nesse ponto, de desvalorização real também", enfatizou. Ele disse ainda que a falta de confiança é generalizada em todas as regiões do País, sem muita diferença de intensidade entre elas.