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Parallaxis vê retomada incipiente de exportações de setores ligados à indústria

O aumento das exportações de produtos industriais no mês de junho sugere que pode haver uma retomada da vendas de itens manufaturados para o exterior, na avaliação do economista-chefe da Parallaxis, Rafael Leão.

"O câmbio já pode começar a ter um efeito de substituição das importações e de favorecimento das exportações brasileiras no setor industrial", comentou o economista, destacando o aumento das exportações nos setores de transporte, químicos e metalúrgicos em junho.

Apesar da melhora incipiente nesses setores, o quadro geral da balança comercial ainda está muito relacionado com a recessão econômica do País.

De acordo com dados do Ministério do Indústria, Comércio Exterior e Serviços, a balança comercial registrou em junho superávit de US$ 3,974 bilhões. O saldo positivo acumulado no ano até junho soma US$ 23,635 bilhões, o maior para o primeiro semestre desde o início da série, em 1989. "O efeito cambial desde 2015 e o momento econômico explicam o forte superávit", afirmou.

Ainda assim, Leão acredita que a atividade econômica pode estar caminhando para a estabilização. "Os indicadores pararam de piorar muito. Acredito que vamos ter um cenário em L da atividade, ou seja, depois de cairmos muito vamos ficar estáveis durante um bom tempo antes de começar a recuperação", avaliou.

4E Consultoria

O resultado da balança comercial no primeiro semestre de 2016, com saldo positivo de US$ 23,635 bilhões, deve-se à alta do volume de exportações (quantum) e ao câmbio favorável. A avaliação foi feita pelo economista Bruno Lavieri, da 4E Consultoria. Ele destacou a retração das importações nos primeiros seis meses deste ano, por conta da queda da atividade doméstica. "A exportação mostra ritmo bom e a importação é baixa em função da crise", comentou.

De acordo com os dados divulgados nesta sexta-feira, 1, pelo MDIC, as exportações somaram US$ 90,237 bilhões no primeiro semestre de 2016 e as importações totalizaram US$ 66,602 bilhões. Nos primeiros seis meses de 2015, as exportações haviam sido de US$ 94,329 bilhões e as importações, de US$ 92,101 bilhões.

"O desempenho das importações foi agravado pelo câmbio", comentou Lavieri. Na prática, com um dólar mais alto ante o real e a retração econômica no Brasil, a compra de produtos de outros países acaba recuando. "E neste ano e no próximo o saldo comercial continuará bom. Não temos uma razão para uma alta muito boa de importações e, ainda que nas últimas semanas tenhamos visto um câmbio um pouco mais apreciado, em termos históricos ele ainda favorece os exportadores", comentou.

A 4E Consultoria projeta um saldo comercial total de US$ 43 bilhões para 2016 e de US$ 48,5 bilhões para 2017. Este valores levam em conta uma expectativa de câmbio no fim deste ano a R$ 3,50 - portanto, acima dos cerca de R$ 3,20 vistos nos últimos dias - e no fim de 2017 a R$ 3,85.

"Com o movimento recente do câmbio, não diria que o cenário está mais altamente favorável para os exportadores. É óbvio que, com a apreciação cambial, os setores menos competitivos vão se prejudicando. Mas temos a percepção de que o nível do dólar não será muito abaixo do atual. Ele pode retomar os R$ 3,40 ou R$ 3,50 no fim do ano, ainda favorecendo as exportações", disse Lavieri.