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PDG quer retomar obras aos poucos após alongar dívida

Após avançar na reestruturação de R$ 4 bilhões de dívidas com cinco bancos, a PDG Realty espera retomar gradativamente as obras paradas por falta de financiamento. A incorporadora tem 35 empreendimentos, dos quais 15 estariam parados, de acordo com informações de fontes de mercado. A companhia não confirma esse número.

"Tínhamos que fazer a reestruturação das dívidas. Essa era a etapa inicial para cumprir", afirmou na quinta-feira, 11, o diretor presidente da PDG, Márcio Trigueiro, durante teleconferência com investidores. "Agora, temos de assegurar recursos para as obras que estão sem financiamento ou que tiveram o financiamento interrompido."

Em meio à uma crise de liquidez, a PDG desacelerou e até interrompeu algumas obras por falta de caixa até que pudesse concluir a reestruturação de suas dívidas.

A PDG encerrou o segundo trimestre com dívida líquida de R$ 5,17 bilhões, queda de 10,7% em relação ao primeiro trimestre do ano. Esse foi o oitavo trimestre consecutivo com redução do endividamento.

No fim de junho, a empresa tinha R$ 271 milhões em caixa, e R$ 221 milhões em vencimentos previstos para 2016, mas que já estariam em fases finais de renegociações.

Pressionada por cancelamentos de vendas e pelo custo financeiro elevado, a empresa registrou resultados negativos no segundo trimestre. A PDG teve prejuízo líquido de R$ 740 milhões, crescimento de 220% em relação ao mesmo trimestre de 2015, quando o prejuízo havia sido de R$ 231 milhões. "A gente ainda está sofrendo com os distratos e com o custo da dívida", comentou o diretor financeiro e de relações com investidores da empresa, Mauricio Teixeira.

O resultado também foi afetada negativamente pela concessão de descontos, principalmente nas antecipações de parcelas e nas vendas à vista, estratégia comercial usada para reforçar o caixa da empresa.

Dívida

A PDG informou na quarta-feira à noite que concluiu a renegociação de R$ 4 bilhões com credores, o que corresponde a 74% da dívida bruta. Desse total, R$ 2,865 bilhões são dívidas corporativas (capital de giro, debêntures, notas promissórias etc.) com Bradesco, Itaú Unibanco, Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e Votorantim.

Pelo acordo, os vencimentos não tiveram descontos, mas foram prorrogados para começarem a partir de julho de 2020 por uma taxa de 120% do CDI. Nos casos em que as dívidas são asseguradas por garantias, como terrenos e imóveis, o pagamento poderá ser antecipado, ao passo em que esses ativos forem comercializados.

"A reestruturação dos contratos de dívida corporativa envolveu diferentes operações financeiras junto aos principais credores e visa, principalmente, a estabilizar o fluxo de caixa da companhia", afirmou a PDG, em fato relevante. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.