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PIB do Paraná recua, mas recessão é menor do que a média brasileira

(Foto: Marcos Santos/USP Imagens) - PIB do Paraná recua, mas recessão é menor do que a média brasileira
(Foto: Marcos Santos/USP Imagens)

O Paraná vem sentindo os efeitos da crise econômica brasileira, mas a recessão no Estado está sendo menor do que a média brasileira. O Produto Interno Bruto (PIB) paranaense recuou 2,4% no primeiro trimestre de 2016 em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com estimativa divulgada nesta quarta-feira (1) pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico Social (Ipardes). 

Na mesma base de comparação, o PIB nacional despencou 5,4%, segundo os números divulgados nesta quarta-feira (01) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com o resultado, a economia brasileira completou a oitava queda consecutiva da atividade econômica. A valores correntes, o PIB brasileiro atingiu R$ 1,47 trilhão no primeiro trimestre. 

Os dados do Ipardes revelam, ainda, que economia do Paraná registrou retração de 2,8% no acumulado dos últimos quatro trimestres em relação aos quatro trimestres anteriores. Nessa comparação, o PIB brasileiro registrou contração de 4,7%.

Agropecuária

Na comparação com os dados do Brasil, o Paraná apresenta números melhores em todos os setores, com destaque para a agropecuária, de acordo com o Ipardes. A agropecuária foi, mais uma vez, o setor que impediu que o PIB tivesse um tombo ainda maior no trimestre. 

No acumulado dos últimos 12 meses, a agropecuária registra crescimento de 1,3%, contra um recuo de 1% no Brasil. No primeiro trimestre, a quebra da safra de grãos fez com que a agropecuária paranaense registrasse uma variação negativa de 0,3% em relação ao primeiro trimestre do ano passado. No Brasil, a queda, porém, foi bem mais expressiva, com retração de 3,7%. 

Fortemente influenciada pelo setor automotivo, a indústria foi a que apresentou maior recuo no primeiro trimestre no Paraná, com queda de 6,9% em relação ao mesmo período do ano passado. Em termos nacionais, o recuo atingiu 7,3%. O setor de serviços, que registrou queda de 3,7% em todo o Brasil, encolheu 1,2% no Paraná na mesma base de comparação.

Melhora

Apesar da queda no primeiro trimestre, a desaceleração no Estado vem perdendo o fôlego. No quarto trimestre de 2015, a economia paranaense tinha registrado uma queda de 5,8% em relação ao mesmo período de 2014. 

“A crise afeta a todos e o Paraná não é uma ilha. Mas os números do primeiro trimestre, principalmente quando comparados com os números nacionais, indicam que a crise no Paraná já teve seu momento mais agudo. Provavelmente teremos uma melhora nos números do PIB paranaense no segundo semestre”, prevê o diretor presidente do Ipardes, Julio Suzuki Júnior. 

A indústria, principalmente do Interior do Estado, deve ter um segundo semestre melhor, graças ao dólar favorável às exportações, com destaque para a agroindústria e o setor de papel e celulose. De acordo com Suzuki Júnior, a crise atingiu muito as regiões metropolitanas das capitais, como a de Curitiba, que concentra a indústria automotiva, metalmecânica e o setor de serviços. 

Interior

O Interior, que tem uma presença importante na economia e no consumo do Estado, ainda exibe uma resistência maior à crise. “Basta ver, por exemplo, que taxa de desemprego no Interior do Paraná está em 7%, contra uma média de 11,2% no Brasil” diz. “O Paraná, por sua estrutura econômica, com forte presença do agronegócio e das exportações, terá uma velocidade de recuperação mais rápida”, afirma. 

Participação

O Paraná vem aumentando seu peso econômico no Brasil. O Estado assumiu o posto de quarta maior economia do País, segundo dados do IBGE, respondendo por por 6,3% de todas as riquezas geradas no País naquele ano, atrás apenas de São Paulo (32,1%), Rio de Janeiro (11,8%), Minas Gerais (9,2%). O Rio Grande do Sul ficou com 6,2%.

Impacto Negativo

Suzuki Júnior comenta que a turbulência política no País teve um efeito negativo sobre a economia. A incerteza em relação ao cenário político diminuiu a confiança e paralisou projetos. O efeito, que deve ser sentido ainda nos números do segundo trimestre, deve contaminar o resultado do ano no Brasil.

A economia brasileira encolheu tanto do ponto de vista da demanda das famílias quanto dos investimentos, de acordo com o IBGE. Na comparação do primeiro trimestre com o mesmo período do ano passado, o consumo das famílias, afetado pela inflação e desemprego em alta e crédito mais restrito, recuou 6,3%. Nessa mesma comparação, os investimentos, medidos pela Força Bruta de Capital Fixo (FBCF) caíram 17,5%. Os gastos do Governo tiveram queda de 1,4%.

Os dados do IBGE mostram, ainda, que a economia brasileira recuou 0,3% em relação ao último trimestre de 2015, na série com ajuste sazonal. O Ipardes não calcula dados do Paraná em relação ao trimestre imediatamente anterior.

Colaboração AENPr.