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PIB veio em linha com a projeção que o BC fez para o ano, diz Maciel

O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel, evitou nesta quarta-feira, 31, comentar o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) referente ao segundo trimestre do ano ante o primeiro, que ficou negativo em 0,6%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). "O PIB veio em linha com a projeção que o BC fez para o ano", limitou-se a dizer.

No Relatório Trimestral de Inflação de Junho, o BC reduziu sua estimativa de queda para a atividade do País de 3,5% para 3,3%. Uma nova previsão será apresentada no mês que vem, quando uma nova edição do documento será divulgada.

O resultado do PIB do segundo trimestre veio dentro do intervalo das estimativas dos analistas de 60 instituições consultados pelo Projeções Broadcast, que esperavam uma retração de 1,10% a uma alta de 0,60%, com mediana de queda de 0,50%.

Na comparação com o segundo trimestre de 2015, o PIB recuou 3,8% no segundo trimestre deste ano. O resultado ficou dentro das estimativas de 58 casas, que previam queda de 2,90% a 4,52%, com mediana negativa de 3,60%.

Com o dado divulgado hoje, o PIB recuou 4,6% no ano em relação a igual período de 2015, e acumula queda de 4,9% em 12 meses até o segundo trimestre de 2016.

Tradicionalmente, o ex-presidente do BC Alexandre Tombini costumava apenas divulgar uma nota sobre o assunto no resultado fechado do ano. Ilan Goldfajn, que assumiu o posto em 13 de junho, ainda não passou por esse momento.

Abrafarma

O resultado da economia brasileira sinalizado pelo PIB do segundo trimestre preocupa empresários, na avaliação do presidente da Associação Brasileira de Redes de Farmácia e Drogarias (Abrafarma), Sérgio Mena Barreto. A expectativa da entidade, porém, é de desempenho mais positivo na segunda metade deste ano.

As grandes redes de varejo farmacêutico representadas pela Abrafarma tiveram crescimento de vendas no primeiro semestre, de 12,6%, mas esperam acelerar e terminar o ano com 15% de alta ante 2015. O ritmo de expansão supera o de outros segmentos do varejo, mas é explicado sobretudo porque as redes da Abrafarma têm ganhado mercado sobre o varejo independente, o qual ainda responde por cerca de 30% do total do mercado das farmácias do Brasil.

Barreto considera que redes de grande porte têm sustentado seu crescimento por investimentos em distribuição própria de medicamentos e abertura de novas lojas. Entre julho de 2015 e julho de 2016, foram inauguradas 500 lojas.

Para o executivo, a continuidade desses investimentos depende de uma estabilização da economia. "Estamos confiantes, mas vai ser preciso observar o quanto essa queda de produção ainda pode afetar em termos de emprego e renda", comentou. Para ele, se o cenário de desemprego persistir, mesmo um setor de consumo mais resiliente como o de farmácias pode acabar sentindo impactos.

Ibá

O recuo de 0,6% do PIB brasileiro no segundo trimestre de 2016 ante o primeiro trimestre deste ano reforça a necessidade do País em trabalhar rápido nas medidas de ajuste fiscal, comentou a presidente da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), Elizabeth de Carvalhaes.

"O Brasil já está debilitado com a queda do PIB verificada em 2015, que prejudicou a indústria nacional, e um recuo acima do esperado coloca mais pressão sobre as empresas brasileiras, como as fabricantes de papel e painéis de madeira, impactadas pela menor demanda interna e também pelo aumento nos custos, ocasionado pela alta inflação", relatou Elisabeth, em nota.

Segundo ela, a votação de medidas de ajuste pelo Congresso são urgentes, assim como reformas estruturais que possam reduzir burocracias para as empresas e criar a base para a retomada do crescimento.

CNseg

O desempenho do PIB brasileiro no segundo trimestre confirma que o segundo semestre pode ser melhor para o mercado de seguros, que representa mais de R$ 800 bilhões em ativos, embora o País ainda enfrente um ambiente recessivo, na opinião do presidente da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), Marcio Coriolano.

"O entendimento é de que o País está piorando menos, o que já é uma boa notícia. O ambiente recessivo existe, mas o leve crescimento do PIB da indústria brasileira no segundo trimestre, apesar de ser muito pouco para indicar uma retomada, sinaliza de que a queda pode não se aprofundar mais", avalia ele, que também é presidente da Bradesco Saúde, em entrevista ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado.

No primeiro semestre, o mercado de seguros teve crescimento nominal de 6,4% em relação ao mesmo período do ano passado, totalizando arrecadação de R$ 113,9 bilhões. Coriolano lembra que o desempenho de abril a junho já foi melhor do que o visto nos três primeiros meses do ano. No primeiro trimestre, o mercado de seguros cresceu 3,6%, enquanto no segundo, a taxa de elevação chegou a 8,8%.

"Os indicadores mostram que as pessoas estão preocupadas em se protegerem e também protegerem o seu patrimônio, sentimento que alavanca em um cenário de incertezas no País, mas é claro que o desempenho do segundo semestre depende da retomada da economia brasileira", analisa Coriolano.

Impeachment

O presidente da CNseg chama atenção para a necessidade de o País retomar os seus fundamentos do ponto de vista de moeda, crédito e que, para isso, o processo de impeachment tem de ser concluído. Hoje, acontece a votação final do impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff. "As pessoas esperam um desfecho bom para o Brasil independente da coloração partidária", diz Coriolano.

Ele cita como um sinal "bastante alentador" a pressa do governo em exercício em destravar a lei das concessões e ainda a ampliação do seguro garantia de obras públicas, dos atuais 5% para 30%. Segundo o presidente da CNseg, o avanço dessas duas questões deve gerar "impacto significativo" para o mercado de seguros em meio à retomada das obras de infraestrutura no País.