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Plano não foi detalhado à União, mas rumo está alinhado com governo, diz Parente

O presidente da Petrobras, Pedro Parente, descartou o detalhamento prévio do plano estratégico e de negócios da estatal para a União, acionista controladora da companhia. Apesar disso, ele foi taxativo em dizer que o rumo da Petrobras está alinhado com o governo.

Parente quis reforçar a independência política de sua gestão. Ele destacou que a maior parte dos membros do conselho de administração da Petrobras é indicada pela União, mas que diferentemente do que ocorria no passado não são funcionários do governo.

"Isso não quer dizer que a gente não deva apresentar nosso programa ao acionista controlador", disse Parente, explicando que uma data está sendo alinhada com o Ministério de Minas e Energia. Ele não soube informar se o presidente da República, Michel Temer, participará do encontro.

Pré-sal

A Petrobras continuará avaliando oportunidades de aquisição de ativos de exploração e produção de petróleo e gás natural em águas profundas, sobretudo, no pré-sal. A empresa avalia participar do próximo leilão de pré-sal, sozinha ou em parceria, segundo a diretora de E&P da companhia, Solange Guedes. E passada a crise, em 2021, a empresa estudará até mesmo oportunidades no mercado internacional.

De acordo com o presidente da Petrobras, Pedro Parente, a companhia "tem um futuro brilhante em águas profundas" e não só no Brasil. Ele descartou, porém, buscar ativos no exterior antes de 2021.

Em coletiva de imprensa para divulgar o plano de negócios de 2017 a 2021, Parente criticou a lei da partilha, que define a atuação no pré-sal. Em sua opinião, a lei não atende aos interesses da empresa e do País.

Libra

A Petrobras colocará 19 plataformas de produção em operação nos próximos cinco anos. Para o pré-sal de Libra, estão previstas duas unidades. A primeira entra em 2020 e a segunda, que não tem data de lançamento de licitação definida, no ano seguinte.

Preços dos combustíveis

A decisão da Petrobras de reajustar os preços dos combustíveis segue os seus interesses empresariais, afirmou o diretor de Refino e Gás Natural, Jorge Celestino. "Se quisermos mudar os preços (dos combustíveis) hoje, mudamos", afirmou Celestino, acrescentando que as decisões são "de natureza empresarial".

O diretor fez questão de diferenciar a atual política de gestão de preços em relação à do período do governo petista, acusado pelo mercado de utilizar a empresa para segurança inflação. "É uma diferença qualitativa importante", frisou.

Meta de segurança

O diretor financeiro da Petrobras, Ivan Monteiro, informou que a meta de segurança é "componente muito importante" e com maior prioridade na companhia em relação à meta financeira. Monteiro informou ainda que a companhia trabalha por entregar mais previsibilidade para a petroleira, que tem "nitidamente perspectiva de rentabilidade".

"O plano nitidamente tem perspectiva de rentabilidade. É interligado, todas as partes funcionam harmonicamente para que no final tenhamos uma companhia com mais previsibilidade, para que vocês possam acompanhar métricas de desempenho da companhia com base naquilo que ela declara", afirmou Monteiro.

"Vocês vão encontrar também componente muito importante, de segurança, fundamental na visão da companhia e que não é de menor relevância, mas de maior priorização em relação à métrica financeira", completou.

Parcerias e desinvestimentos

O plano de negócios apresentado pela Petrobras indica que a companhia incorpora em sua estratégia permanente a política de parcerias e desinvestimentos. Segundo Monteiro, os números apresentados pelo plano já consideram "eventuais reduções ou alta" no fluxo de caixa decorrente da venda de até US$ 19 bilhões em ativos entre 2017 e 2018.

"Os números apresentados de desinvestimentos e parceria levam em conta a possibilidade de êxito. Podemos dizer que parceria e desinvestimento se incorporam como política da companhia, que tem sucesso tremendo na área de exploração e produção, e vamos avançar para áreas de logística, gás e energia. Mas não damos informação de quais ativos estão ali", afirmou.

O diretor ainda reforçou que cada investimento feito pela companhia tem o objetivo de retornar em valor para os acionistas. "Números que divulgamos já levam em consideração eventuais reduções ou aumento do fluxo de caixa para a companhia com a venda de ativos", frisou.

Demissão voluntária

A Petrobras poderá implementar novos programas de demissão voluntária, à medida que dê prosseguimento ao seu plano de desinvestimentos. De acordo com o diretor de Assuntos Corporativos da estatal, Hugo Repsold, no momento ainda não foi identificada a necessidade de um novo Plano de Incentivo ao Desligamento Voluntário (PIDV). "Temos sim a previsão de eventualmente criar mecanismos de demissão voluntária", disse, durante coletiva para comentar o Plano Estratégico da estatal.

A companhia já teve 9.270 funcionários desligados desde 2014 com esses planos, dos quais 2.470 no PIDV 2016. A expectativa é que mais 400 saiam até meados de 2017, oriundos do PIDV 2014. "Toda vez que fizermos uma parceria ou desinvestimento, um plano de demissão voluntária será oferecido aos funcionários", completou o presidente da Petrobras, Pedro Parente.

Repsold comentou ainda a transição do modelo de promoção por antiguidade para o de promoção por mérito. A empresa vai atrelar as promoções aos resultados.