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Políticas em discussão no Brasil levarão país a território mais estável, diz FMI

As políticas econômicas em discussão no momento no Brasil, incluindo as medidas de ajuste fiscal e reformas estruturais, vão ajudar a levar o país para uma trajetória mais estável e, espera-se, mais próspera, afirmou nesta quinta-feira, 6, em entrevista à imprensa a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde.

"O Brasil está se movendo para um território positivo", afirmou Lagarde, destacando que o movimento será o oposto do que vem ocorrendo nos últimos meses, marcados por forte contração da economia. No relatório Panorama Econômico Mundial, divulgado na terça-feira pelo Fundo, a avaliação é que o país está "perto de sair do fundo do poço".

A estabilização da economia brasileira deve ajudar significativamente a América Latina, avalia a dirigente, na medida em que grande parte da contração do Produto Interno Bruto (PIB) da região se deve à piora do Brasil e de países como a Venezuela.

Para este último, o FMI prevê retração de 10% este ano, enquanto o PIB brasileiro deve encolher 3,3%. O Fundo projeta que o PIB dos países latinos vai encolher 0,6% em 2016 e voltar a crescer no ano que vem, com expansão de 1,6%.

A dirigente foi questionada na entrevista sobre a diferença das previsões para o crescimento do Brasil em 2017 entre o FMI e o Banco Mundial. O Fundo projeta expansão de 0,5%, enquanto a última instituição vê avanço de 1,1%. Segundo Lagarde, a discrepância se deve a diferentes metodologias e referências levadas em conta por cada um dos organismos multilaterais.

Recuo na Globalização

O crescimento da economia mundial segue decepcionante e a esperada aceleração deve ser puxada pelos países emergentes, avaliou Lagarde, em sua "Agenda de Política Econômica", documento divulgado nesta quinta-feira em Washington. A dirigente também alerta para o "sério risco" que um recuo na globalização e no multilateralismo oferece para o planeta.

Nos países avançados, a baixa demanda e o fraco crescimento da produtividade têm comprometido a expansão de algumas economias. Já nos emergentes, Lagarde destaca que "grandes e estressadas economias" vêm mostrando sinais de melhora.

"Resolver a queda da demanda em alguns países continua a ser uma prioridade", afirma o documento. Lagarde volta a cobrar mais esforço dos governos para estimular o crescimento, com a combinação de políticas fiscais, monetárias e estruturais e maior esforço de cooperação internacional.

"Um recuo na globalização e no multilateralismo é um sério risco em um tempo em que a cooperação e coordenação internacional são mais necessários do que nunca", afirma Lagarde no documento.

Nos últimos dias, o FMI vem alertando sobre as consequências negativas do aumento do protecionismo comercial, que pode provocar nova piora da atividade econômica mundial. O alerta vem em meio à saída do Reino Unido da União Europeia e da promessa do candidato à presidência dos Estados Unidos, Donald Trump, de cancelar acordos comerciais feitos por Washington.

A diretora do FMI também reforça a preocupação com os riscos do alto endividamento das empresas, sobretudo nos emergentes, que podem trazer vulnerabilidades. Os passivos do setor não financeiro registraram crescimento acelerado nos últimos anos, batendo em US$ 152 trilhões em 2015, segundo dados divulgados na quarta pelo FMI, o equivalente a 225% PIB mundial.