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Possível alta dos juros nos EUA altera projeção do câmbio no Brasil

Sinais de que um novo aumento do juro norte-americano está cada vez mais próximo exigiram uma calibragem nas expectativas para o câmbio doméstico. Para os economistas mais confiantes na valorização do real, que se mostravam céticos sobre a chance de elevação nos juros dos EUA, a iminência de um ajuste de alta pelo Federal Reserve no curto prazo tira força do movimento de valorização cambial, que chegou a colocar o dólar neste mês no nível mais baixo em mais de um ano.

Na sexta-feira, após o núcleo diretor do banco central norte-americano reforçar expectativas de elevação da taxa - possivelmente a partir de setembro -, a cotação do dólar subiu 1,19%, chegando ao maior valor de fechamento no mês: R$ 3,27.

Potencial

É prematuro antecipar qualquer tendência a partir desse desempenho. Parte dos analistas que tinham uma visão menos conservadora, como os que projetavam um dólar abaixo de R$ 3,00, ainda não vê reversão de quadro a ponto de provocar nova disparada da moeda americana. Alguns deles reconhecem, no entanto, que o real perdeu potencial de apreciação.

"A tendência de valorização do real pode se esfriar, mas, ainda assim, o câmbio deve se manter apreciado. Não digo que ficará abaixo de R$ 3,00, mas pode oscilar na faixa de R$ 3,10 a R$ 3,20", afirma Tarcisio Rodrigues, diretor de câmbio do banco Paulista, cuja projeção anterior era de R$ 3,00 a R$ 3,10.

Caio Esteves, analista sênior de câmbio da FN Capital, diz que, antes de o Banco Central (BC) do Brasil intervir no mercado, chegou a trabalhar com a perspectiva de câmbio entre R$ 3,00 e R$ 3,10. Em suas contas, a moeda americana pode, a partir de agora, passar de R$ 3,30 e se aproximar de R$ 3,40. "Com juros mais altos por lá, é natural haver um fluxo maior de dólares do Brasil para os EUA, onde é mais seguro investir."

Os economistas citam a proximidade do desfecho na crise política brasileira, a estabilização econômica e a expectativa de o BC deixar novamente o câmbio flutuar entre as variáveis que devem dar força ao real. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.