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Prejuízo da Natura é o primeiro desde a abertura de capital

A fabricante de cosméticos Natura reverteu o lucro líquido de R$ 119,6 milhões registrado no primeiro trimestre do ano passado e teve prejuízo de R$ 69,1 milhões entre janeiro e março de 2016. Trata-se do primeiro resultado negativo desde que a companhia abriu o capital, há 12 anos, apurou o jornal O Estado de S. Paulo. Os papéis da Natura sentiram o impacto do balanço e na quinta-feira, 29, caíram 6,09%, para R$ 26,20, na BM&FBovespa.

A receita líquida da companhia no Brasil recuou 9,8% no primeiro trimestre, para R$ 1,121 bilhão, na comparação com um ano antes. "A Natura reportou seu pior conjunto de resultados desde que conseguimos nos lembrar", afirmou relatório do banco Credit Suisse.

O resultado negativo ocorreu apesar de a companhia ter promovido um reajuste médio de 9% no primeiro trimestre de 2016 na comparação com o mesmo período de 2015. O número de consultoras também teve um saldo de 6,4% em 12 meses, passando da marca de 1,8 bilhão, segundo informou a companhia ontem. A produtividade das revendedoras, no entanto, caiu 9,5% neste início de 2016.

Entre os problemas que afetam a Natura estão uma concorrência mais acirrada e os efeitos nos custos, tanto por causa do dólar - que afeta itens importados - e aumento de tributos para o setor (houve ampliação de impostos em 14 Estados brasileiros no início deste ano).

Para tentar se adequar à nova realidade de mercado, a Natura promoveu demissões e espera uma redução de custos com folha de pagamentos, disse na quinta o presidente da companhia, Roberto Lima, sem especificar o total de cortes.

A Natura também afirmou na quinta acreditar que há uma tendência de redução de sua perda de participação de mercado, que ficou em 11,1% em 2015, de acordo com a consultoria Euromonitor. A empresa perdeu cerca de um quarto de sua participação de mercado desde 2010, segundo a consultoria. Como base de comparação, a fatia do Grupo Boticário subiu, no mesmo período, de 6,9% para 10,9%.

Novos canais

Após relutar a abrir novos canais de venda para não entrar em conflito com suas consultoras de venda direta, a Natura agora está buscando agora novas fontes de receita. Além de lançar um e-commerce em que o cliente pode comprar sem o auxílio de uma revendedora da marca, a empresa também inaugurou sua primeira loja física, em São Paulo, na quarta-feira, 27.

Segundo o presidente da Natura, as lojas estão em testes, com a meta de definir o portfólio de produtos do varejo. Passada essa fase, Lima afirmou que a companhia vai acelerar inaugurações, podendo expandir-se por meio de franquias. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.