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Premiê do Japão decide adiar alta do imposto sobre as vendas para 2019

O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, disse nesta quarta-feira que vai atrasar o aumento do imposto sobre as vendas prevista para o próximo ano para até outubro de 2019, diante da fraqueza da economia após mais de três anos de seu programa de crescimento, conhecido como o "Abenomics". O adiamento do aumento do imposto irá exigir uma votação no Parlamento, que está marcada para o dia 10 de julho. A coalizão de governo tem uma maioria forte.

O Japão corre o risco de deslizar de volta para a deflação e precisa agir para evitar uma crise, disse Abe, acrescentando que ele planeja aprovar um pacote de estímulo fiscal no segundo semestre para acelerar a construção de redes de transporte em todo o país, como o trem-bala.

Entre os motivos para um pacote de estímulo fiscal, Abe apontou para os riscos globais, particularmente para a desaceleração nas economias emergentes. "Para afastar esses riscos, precisamos acelerar o motor do 'Abenomics'", disse ele.

O atraso de impostos e o aumento nos gastos enfatizam as dificuldades que Abe tem enfrentado. Quando assumiu o cargo, ele foi elogiado pelo "Abenomics" como um plano para derrotar decisivamente a deflação e alcançar um crescimento sustentável, robusto através de uma combinação de flexibilização monetária extraordinária, estímulo fiscal e reformas estruturais. Mas as reformas têm sido escassas e os estímulos fiscais modestos e esporádicos.

Economistas, políticos da oposição e até mesmo alguns membros do partido de Abe têm apontado para o caso de adiar o aumento de imposto como a mais recente confirmação de que o Abenomics não está funcionando como prometido. Embora a economia do Japão tenha crescido no primeiro trimestre, depois de contrair em dois dos três trimestres anteriores, os economistas dizem que a tendência subjacente continua fraca.

Takuji Okubo, economista-chefe da Macro Advisers, disse que não acredita que o "Abenomics" terá sucesso nos próximos anos também. "Eu acho que os investidores e os gestores das empresas já desistiram do sucesso do 'Abenomics'", disse ele. "O problema é a falta de uma alternativa", acrescentou.

Abe disse que o "Abenomics" tem produzido resultados, incluindo um mercado de trabalho mais forte e salários mais altos.

A política fiscal mais frouxa irá complicar o desafio já assustador de reduzir a enorme dívida pública do Japão, que em relação ao tamanho de sua economia classifica como o maior do mundo desenvolvido - cerca de 200% do Produto Interno Bruto (PIB), o que poderia levar a um rebaixamento do rating do país pelas agências de classificação de risco. Os aumentos de impostos eram parte de planos de longa data para alcançar um superávit primário - um orçamento equilibrado excluindo os pagamentos de juros - no ano de 2020. Abe disse que o governo continuaria a apontar para um superávit primário em 2020.

Um aumento no imposto sobre vendas de 5% para 8% em abril de 2014 foi seguido por uma recessão, e Abe depois atrasou um segundo aumento para 10% a abril de 2017 - comprometendo-se sem mais atrasos, a menos que o país enfrentasse uma crise econômica. Fonte: Dow Jones Newswires.