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Prioridade é renovar acordo com a Argentina, diz novo presidente da Anfavea

Diante do impasse político no Brasil, o antigo desejo das montadoras de assinar um acordo de livre-comércio com a Argentina ficou mais uma vez para depois. Em sua primeira coletiva como presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Antonio Megale, reconheceu nesta segunda-feira, 25, a dificuldade de obter o livre-comércio neste momento e disse que, com isso, a prioridade agora é renovar o atual acordo, que expira em junho e impõe limites para exportação e importação.

"O nosso foco é sempre o livre-comércio, mas entendemos o momento que os países estão enfrentando. Então, estamos trabalhando com a renovação do acordo vigente. Os dois governos já estão sentados, sempre no sentido de que o acordo seja renovado. Os dois têm o maior interesse nisso", afirmou. Embora a Anfavea só tenha reconhecido agora a dificuldade de assinar um acordo de livre-comércio com a Argentina, as negociações já davam sinais de que iriam fracassar, em razão de uma resistência do governo argentino em aceitar as condições.

Agora, o maior desafio da Anfavea será convencer as partes envolvidas a assinar um acordo de maior duração, já que as últimas renovações foram feitas por somente um ano. "Precisamos de mais previsibilidade para trabalhar", justificou Megale. "Mas no momento talvez a gente não consiga um acordo de longo prazo", ponderou em seguida. Pelo acordo vigente, para cada US$ 1,5 milhão em carros e peças vendidos para a Argentina, livre de impostos, o Brasil tem de comprar US$ 1 milhão do país vizinho, também sem tributação. O que for além disso, tem alíquota de 35%.

Enquanto a situação com a Argentina segue indefinida, a entidade pretende ampliar a sua relação com outros países, em especial na América do Sul. "A Argentina é nosso principal mercado no exterior, mas se somarmos Colômbia, Peru e Equador, já temos o equivalente a uma Argentina", explicou. "Queremos abrir novos mercados, mas também melhorar os acordos que já temos com outros países", disse.

Gestão

O novo presidente da Anfavea é engenheiro mecânico, tem 59 anos e, além de presidir a entidade, ocupa o cargo de diretor de Assuntos Governamentais na Volkswagen. Ao assumir o lugar de Luiz Moan na associação, Megale determinou como prioridade para sua gestão o aumento da previsibilidade dos negócios. "Temos de ter regras claras, não podemos mudar as regras no meio do jogo", disse, repetindo o que vários empresários têm dito durante a crise política e econômica do País.

Outros pontos que ele destacou foram o maior foco nas exportações, para compensar a queda do mercado interno, e a busca por maior flexibilidade na relação com os empregados. Neste último ponto, ele defendeu que o Programa de Proteção ao Emprego (PPE) deixe de ser uma medida provisória para se tornar definitiva.

O programa, criado pelo governo para evitar demissões durante a crise, consiste na redução de salários e jornadas em até 30%, com metade da perda salarial compensada pelo governo. A medida, no entanto, foi criada para durar apenas dois anos, com previsão de acabar no fim de 2017. "Isso tem de ser uma política perene. Nós vamos sair dessa dificuldade, mas lá na frente isso poderá ocorrer de novo", disse.

Governo

Em relação à crise política, Megale reforçou o discurso do empresariado de que o impasse deve ser solucionado o mais rápido possível para que o crescimento econômico possa ser retomado. No entanto, independentemente dos desdobramentos, ele espera que a recuperação do mercado de veículos seja iniciada no fim deste ano, assim como esperava o seu antecessor. Ele não revelou números do mercado em abril, mas disse que o ritmo diário ficou estável em relação a março.

Quanto ao relacionamento com o governo, o novo presidente da Anfavea afirmou que, enquanto a crise política não acaba, pretende se reunir com representantes da área técnica, como do Ministério do Desenvolvimento, da Indústria e do Comércio (MDIC), do Ministério das Cidades e do Denatran.

Segundo ele, uma primeira reunião com a Presidência só será marcada após uma definição no Senado sobre o futuro da presidente Dilma Rousseff. Isto significa que, se o vice-presidente Michel Temer assumir durante os 180 dias em que a petista tiver que ser afastada, caso o processo avance nessa Casa, uma reunião será marcada com ele.