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Quadro fiscal e Yellen inibem negócios e taxas futuras fecham estáveis

Os principais contratos de juros futuros fecharam a sessão regular perto da estabilidade. Após passarem a manhã com leve alta, sobretudo nos vencimentos longos, as taxas oscilaram durante toda a tarde ao redor dos ajustes de ontem, depois da realização do leilão de títulos prefixados do Tesouro Nacional. De maneira geral, o mercado continua à espera dos eventos e o mais imediato deles é o discurso da presidente do Federal Reserve, Janet Yellen, amanhã no simpósio de Jackson Hole (Wyoming, EUA).

O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2017 fechou em 13,990%, de 13,995% no ajuste de ontem, com 69.075 contratos. O DI janeiro de 2018 (89.390 contratos) terminou estável em 12,73%. O DI janeiro de 2019 (111.140 contratos) também fechou estável ante o ajuste anterior, em 12,17%. O DI janeiro de 2021 (128.890 contratos) ficou em 11,99%, de 11,98%.

Pela manhã, as taxas operaram sob um viés de alta, mantidas as preocupações com o quadro fiscal e diante das operações relacionadas ao leilão do Tesouro, de proteção contra o risco dos papéis prefixados. Ontem, o PSDB ameaçou deixar a base aliada em razão das propostas de concessão de reajustes ao funcionalismo público. E o Senado Federal até aprovou em segundo turno a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que recria a Desvinculação de Receitas da União (DRU) até 2023, mas não sem aprovar também o reajuste salarial do defensor-público geral da União e de servidores da Defensoria Pública da União (DPU).

Passado o leilão, as taxas desaceleraram em direção aos ajustes, mas o receio com as medidas fiscais continuou acautelando o investidor. O mercado mantém o voto de confiança no governo Temer, mas depois de aprovado o impeachment da presidente afastada, Dilma Rousseff, dado como certo, vai cobrar uma postura mais austera em relação às concessões fiscais que têm sido feitas. O julgamento da presidente começou hoje, com sessão dedicada à oitiva de testemunhas de defesa e acusação, e o resultado está previsto para a próxima quarta-feira, 31.

Em boa medida, a expectativa com a fala de Yellen, amanhã, também tem inibido os negócios. O investidor não quer assumir posições diante do risco de um discurso "hawkish", que possa levar a uma definição mais clara sobre quando os juros começarão a ser elevados nos EUA, após vários diretores regionais do Fed terem defendido nos últimos dias uma alta gradual de juros. (