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Queda da inadimplência está ligada à melhora da dinâmica da economia, diz BB

A redução da inadimplência do Banco do Brasil depende da melhora da economia, segundo José Maurício Pereira Coelho, vice-presidente de Gestão Financeira e Relações com Investidores da instituição. Ele evitou, contudo, fazer uma previsão do pico dos calotes no banco.

"É difícil falar. A melhora está ligada à dinâmica da economia", afirmou ele, em teleconferência com analistas e investidores, na manhã desta sexta-feira, 13.

Segundo ele, o aumento dos calotes é natural e está relacionado à deterioração do cenário macroeconômico. Reforçou também que a inadimplência tem subido em todo o setor bancário com "intensidade parecida".

O índice de inadimplência do BB, considerando atrasos acima de 90 dias, foi a 2,60% ao final de março, aumento de 0,36 ponto porcentual em relação a dezembro, quando ficou em 2,24%. No comparativo com o mesmo intervalo do ano passado, de 1,84%, a piora foi de 0,76 p.p.

Na pessoa jurídica, a inadimplência, considerando atrasos acima de 90 dias, foi a 4,01% ao final de março, ante 3,42% em dezembro e 2,52% em um ano. Já na pessoa física, os calotes foram a 2,41%, ante 2,17% e 2,20%, respectivamente.

Provisões

O Banco do Brasil espera que suas despesas com provisões para devedores duvidosos (PDDs) diminuam no próximo trimestre, de acordo com Bernardo de Azevedo Silva Rothe, gerente geral da unidade de relações com investidores da instituição. A expectativa do banco está ancorada, conforme ele, ao fato de esses gastos de janeiro a março terem sido impactados por um caso pontual no segmento de óleo e gás.

"Tivemos uma provisão bastante alta no primeiro trimestre por conta da reversão de uma provisão adicional para cobrir a provisão requerida no setor de óleo e gás devido a um caso pontual e, que por isso, não deve se repetir", explicou Rothe, também em teleconferência com analistas e investidores.

Ele lembrou que esse caso específico, cujo nome não foi revelado, exigiu uma provisão de R$ 2,020 bilhões, mas que não são esperados problemas com clientes desse porte. Por isso, acrescentou, a expectativa é de queda das despesas com PDDs nos próximos trimestres. Por conta do caso específico no setor de óleo e gás, o BB viu os gastos com calotes crescerem 30,8% - ou mais de R$ 2 bilhões - no primeiro trimestre, para R$ 9,145 bilhões, ante os três meses anteriores. Em relação ao mesmo trimestre do ano passado, o crescimento foi de 61,7%.

Entre as grandes instituições, o BB era o maior credor da Sete Brasil, que entrou com pedido de recuperação judicial no final do mês passado. Segundo a lista de credores, o banco estatal concedeu mais de US$ 1 bilhão (R$ 3,7 bilhões) à companhia.

Questionado sobre o quanto o BB já provisionou deste caso específico, Rothe não respondeu, alegando que o banco não pode abrir detalhes de clientes. Conforme informou o Broadcast (serviço de notícias em tempo real da Agência Estado), na quinta-feira, o banco teria feito, segundo fonte, reserva de 70% em cima do saldo devedor do crédito dado à empresa, sendo que receberá 28% do Fundo Garantidor da Construção Naval (FGCN) que garantiu os empréstimos à Sete Brasil. Até o final de março, conforme a fonte, o banco já teria recebido 40% desse valor. Por conservadorismo, o BB teria reduzido do saldo devedor, segundo a mesma fonte, apenas o que efetivamente recebeu até março do FGCN.