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'Queremos ser líderes no País, mas sem loucura', diz presidente da Lenovo

A Lenovo está de cara nova no Brasil. Depois de alcançar a liderança do mercado de PCs nacional por alguns meses de 2014 apostando em aparelhos de baixo custo (e perder o posto para a Dell), a companhia chinesa agora investe nos segmentos de computadores premium e corporativos para seguir adiante em um setor que vive sua pior crise em dez anos. Dados da consultoria IDC Brasil divulgados nesta semana mostram que a venda de computadores caiu 36% no Brasil no ano passado, mesmo depois de um decréscimo de 26% no número de unidades comercializadas em 2014.

"Não vamos fazer loucuras para sermos líderes no Brasil", disse Silvio Stagni, presidente da Lenovo no País. "Somos líderes no mundo, e de vez em quando sou cobrado por isso, mas queremos ser líderes pela proposta de mercado que temos hoje no País." O executivo concedeu entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo durante a apresentação de sua linha de PCs que chegará às lojas brasileiras ao longo de 2016.

A maior parte dos produtos - seja na linha Yoga, voltada para o consumidor final, ou na ThinkPad, direcionada ao mercado corporativo - deve chegar ao mercado com preços mais altos que o habitual. A partir de agora, a empresa busca aumentar sua margem de lucro por máquina vendida, em vez de faturar com grande número de computadores comercializados.

É um passo contrário na direção que fez a empresa ser líder no País há dois anos. Na época, além de vender computadores com sua marca, a companhia apostava em uma linha de PCs de baixo custo com a marca da CCE. Tradicional marca de eletrônicos brasileira, a CCE foi comprada pela Lenovo em 2012 por US$ 300 milhões e devolvida pelos chineses aos donos originais - a família Sverner - em outubro de 2015.

"Usamos a marca da CCE, em uma linha de menor custo, pelo relacionamento com o varejo brasileiro", conta Stagni. "Hoje, temos 10% do mercado do País, mas percebemos que o posicionamento que tínhamos com a CCE desviava o nosso foco da Lenovo, e decidimos que era hora de andar só com as nossas próprias pernas no Brasil."

Após a transação que mudou a CCE de mãos mais uma vez - que inclui a fábrica de Manaus da marca -, a família Sverner poderá voltar a fabricar e vender produtos da CCE somente a partir de março de 2017.

Para a Lenovo, a estratégia de seguir adiante com sua própria marca no mercado de PCs extrapola o setor - no final do ano passado, a chinesa lançou no Brasil o primeiro celular com sua marca própria no mercado brasileiro, após quase dois anos com lançamentos apenas pela Motorola. "Um dos principais motivos para lançar o smartphone é ajudar a criar a marca. Se existe um smartphone Lenovo, o brasileiro passa a nos considerar dentro do mercado de tecnologia de modo geral", diz Stagni.

Segundo o executivo, pesquisas internas da empresa mostram que o brasileiro ainda tem "baixo conhecimento" sobre a Lenovo e seus produtos, apesar de a empresa estar presente no País há dez anos.

Ponto mínimo

Com metade de suas vendas concentradas no mercado corporativo - acima da média nacional, na qual 32% dos PCs vendidos no País são destinados a empresas -, Stagni diz não temer os sucessivos "tombos" do mercado de PCs no Brasil.

"Somos líderes mundiais hoje, e se quisermos continuar a ser, não podemos deixar de investir no Brasil", diz o executivo. Para Stagni, o mercado de computadores deve chegar a sua curva mais baixa de vendas em 2016, mas deve retomar seu caminho nos próximos anos, "quando o País reencontrar a pujança econômica".

De acordo com a previsão da consultoria IDC Brasil, o número de PCs vendidos no País deve cair 18% neste ano, enquanto o preço médio deve subir em torno de 20%, influenciado pela alta do dólar e pelo fim da Lei do Bem, que isentava computadores pessoais de PIS e Cofins. Só o fim da Lei do Bem deve deixar os computadores 10% mais caros, segundo a IDC.

Além do foco na linha premium e no segmento corporativo, a Lenovo também tenta a sorte com modelos conversíveis - apelido dos computadores que se transformam em tablets. É um dos poucos segmentos que têm crescido no País. "Há alguns anos, o usuário trocou os PCs pelos tablets. Agora, já há conhecimento de qual aparelho serve para cada coisa", diz o executivo. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.