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Rebaixamento pela Moody's pesa, mas índice reduz perdas e cai 1,03%

O principal índice da BM&FBovespa, o Ibovespa, amenizou as perdas registradas nas primeiras horas do pregão desta quarta-feira, 24, com melhora do cenário externo, mas ainda assim fechou em território negativo, puxada pelo comportamento das blue chips. A perda do grau de investimento pela única agência que ainda conferia o selo de bom pagador ao País, a Moody's, com a nota rebaixada em dois graus de uma só vez pesou no índice até o final do pregão.

O Ibovespa chegou a cair um pouco mais de 3% no meio do dia, mas no início da tarde, com a reversão do sinal negativo do petróleo e um pouco mais tarde das bolsas internacionais, a queda ficou menos acentuada. Nesta quarta-feira, o índice fechou com recuo de 1,03%, aos 42.084,56 pontos, com giro financeiro de R$ 4,786 bilhões (dados preliminares). A mínima foi de 41.211 pontos (-3,08%) e, a máxima, de 42.521 pontos (0%). No mês, o ganho chega a 4,16% e, no ano, a queda é de 2,92%.

"O dia começou com o humor mais negativo no mercado acionário brasileiro, vindo do mercado externo e commodities, mas ao longo do dia com a recuperação do petróleo, melhorou", explica o analista da Guide Investimentos, Rafael Yassuo Ohmahi. Segundo ele, o desempenho dos papéis de Vale e Petrobras pressionou o índice. No caso de Vale, o especialista ressalta que os papéis seguiram o comportamento de seus pares, como Rio Tinto e BHP, que também apresentaram recuos. Vale ON caiu 5,41%, enquanto a PNA diminuiu 4,44%.

Já Petrobras, cujos papéis recuaram 0,71% (ON) e 1,02% (PN), teve influência ainda de notícias negativas, como o processo da multa na Justiça dos Estados Unidos e a expectativa sobre a decisão do Senado sobre o projeto de lei do pré-sal. De autoria do senador José Serra (PSDB-SP), o projeto desobriga a Petrobras de ser a operadora única e ter participação mínima de 30% na exploração da camada do pré-sal. A proposta está em discussão no plenário do Senado esta tarde e, em breve, deve ir à votação.

Sobre a decisão da Moody's, que rebaixou a nota do País em dois graus de uma só vez, para Ba2, em grau especulativo, e perspectiva negativa, operadores de mercado analisaram que, mesmo sendo esperada, o corte de dois graus foi uma surpresa. "Não podemos desprezar o efeito negativo da decisão da Moody's nos negócios na bolsa. Aliada à situação política e econômica ruim, não há força para o Ibovespa mudar de sinal. Se amanhã continuar um otimismo no cenário externo, há chances do índice operar em terreno positivo", afirmou um operador que preferiu não se identificar.