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Recado é que não há pressa na redução da Selic

Para analistas, o recado dado pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central após a reunião de quarta-feira, 31, na qual manteve a taxa de juros da economia em 14,25% ao ano, é de que não há pressa para começar a cortar a Selic.

Segundo a economista Tatiana Pinheiro, do Banco Santander, o comunicado divulgado após a reunião mostrou que o BC só começará o processo de flexibilização monetária quando as expectativas do mercado se concretizarem. Para ela, ao detalhar os riscos domésticos no comunicado, destacando o ajuste fiscal e a persistência da inflação alta, o BC colocou condições para que os juros sejam reduzidos. "O BC mostrou que não tem pressa para iniciar a flexibilização da política monetária", disse.

"Nós começamos o ano com a ideia de que, quando tivéssemos expectativa de inflação em queda, somada ao resultado ruim da atividade, haveria espaço para redução de juros. Agora é diferente. Não é só expectativa, tem de haver a concretização da expectativa."

Segundo Alexandre Póvoa, sócio da Canepa Asset Management, ao listar quais são as condições para a redução dos juros, mudando o tom do comunicado anterior de que não havia espaço para iniciar o movimento, o comitê se mostrou mais inclinado em flexibilizar a política monetária.

Por outro lado, as condições colocadas, como a redução das incertezas sobre implementação do ajuste fiscal, não devem ser alcançadas tão cedo, o que reduz as chances de a Selic começar a cair em outubro. Segundo Póvoa, o comitê vai monitorar as condições colocadas na nota e, se houver evolução, começará a preparar o mercado para a redução dos juros no fim do ano.

A tendência, diz, é que o Banco Central comece a reduzir os juros em dezembro. "A dúvida é só se será 0,25 ou 0,5 ponto porcentual". O gestor assinala que o Copom reforçou no comunicado de hoje que vai perseguir o centro da meta de inflação (4,5%) no ano que vem, num sinal claro de vai ser cauteloso nos cortes dos juros.

"O BC destacou que a inflação de alimentos é um choque, mas está mais resistente que o esperado, introduziu uma novidade - as incertezas sobre o processo de normalização da política monetária nos EUA - e destacou condicionalidades que precisariam ser atendidas para reduzir os juros", disse Italo Lombardi, economista sênior para a América Latina do banco Standard Chartered em Nova York. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.