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Recessão leva empresas brasileiras a buscar oportunidades fora do País

A crise econômica, agravada pelo cenário político turbulento, tem acelerado os planos de expansão de empresas brasileiras no exterior. Com o real desvalorizado, muitas companhias, sobretudo as de commodities, buscam ampliar as exportações. Boa parte também tem arriscado a abrir subsidiárias em outros países, como forma de diversificar receita e reduzir a dependência do mercado interno.

O fluxo maior de expansão no exterior, segundo especialistas ouvidos pelo Estado, é para os Estados Unidos, reflexo do maior potencial do mercado consumidor americano. As consultas para investir nos EUA saltaram 70% no ano passado, para 7,6 mil, de acordo com a Câmara Americana de Comércio (Amcham), com base em downloads baixados no site da Amcham por interessados em fazer negócio nos EUA. O mesmo movimento, um pouco mais contido, foi observado para o Reino Unido. No mesmo período, houve acréscimo de 30% em consultas para investir na região, segundo a agência britânica de comércio e investimentos (UKTI), que conta com 82 empresas brasileiras, de diferentes portes, e espera crescimento de 20% este ano.

"Há uma tendência geral em momentos de crise: empresas tentam diversificar sua receita e buscam outros mercados", diz Welber Barral, ex-secretário de comércio exterior, à frente da consultoria Barral MJorge. Barral, que faz consultorias para agências governamentais e empresas, vê um forte movimento de companhias que buscam oportunidades nos EUA e no mercado europeu. "Na Europa, a Inglaterra torna-se principal opção, por sua forte referência como centro financeiro global e porta de entrada para os países europeus, mais protecionistas."

Transferência

A mineradora Magnesita, produtora de materiais refratários - usados pelas indústrias siderúrgicas -, controlada pela GP Investments, está se preparando para transferir sua sede para Londres. A empresa, que aprovou a criação da holding Mag Internacional no fim de 2015, pretende listar suas ações na London Stock Exchange e seus principais executivos - presidente, diretor financeiro e jurídico e de relações institucionais - já preparam a mudança.

Em um momento crítico para o setor de mineração e siderurgia, com baixos preços do minério de ferro e superoferta global de aço, a transferência da Magnesita não poderia ser mais oportuna, diz Luiz Gustavo Rossato, diretor jurídico e de relações internacionais. "A Bolsa de Londres é referência de preços internacionais de minério e podemos captar dinheiro mais barato", afirma. A empresa manterá a produção no Brasil e continuará listada na BM&FBovespa.

Não à toa, os dois principais bancos privados brasileiros (Itaú e Bradesco) transferiram sua sede na Europa para Londres. Antes em Luxemburgo, o Bradesco se mudou no ano passado para se aproximar dos investidores globais, diz Marcelo Cabral, executivo do Bradesco na Europa.

Em franco processo de internacionalização, o Itaú transferiu em 2012 a sede de Portugal para Londres. Renato Lulia, presidente do Itaú BBA Internacional, diz que a mudança foi estratégica. De Londres, Lulia também coordena as operações da Ásia e Oriente Médio. "Vale lembrar que há mais estrangeiros interessados em investir no Brasil, porque o País está barato. Como um banco internacional, ampliamos daqui as operações de fusões e aquisições."

O exigente mercado europeu, mais protecionista, também está na mira das empresas de alimentos. No ano passado, o JBS avançou no Reino Unido com a aquisição da Moy Park, na Irlanda, que era do grupo Marfrig.

A BRF (dona de Sadia e Perdigão) anunciou no fim de 2015 a compra da Universal Meats, com foco em alimentação fora do lar na Inglaterra, por £ 34 milhões. "Entre os 28 países da comunidade europeia, a Inglaterra é o que mais importa carne de frango", diz Roberto Banfi, presidente da BRF na Europa. "O investimento na Europa responde por uma fatia importante do faturamento da BRF no exterior." No processo de internacionalização, a BRF comprou ainda uma operação na Argentina e outra na Tailândia que, com a Universal Meats, vão dobrar a capacidade de produção fora do Brasil, para 8% do total.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.