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Relação do déficit do setor externo em 12 meses ante PIB é a menor em 6 anos

A relação entre o déficit em conta corrente acumulado em 12 meses até março e o Produto Interno Bruto (PIB) atingiu a marca de 2,39%. Este é o menor porcentual nessa comparação desde março de 2010, quando estava em 2,11%, portanto há exatamente seis anos.

Desde então, essa taxa apresentou trajetória ascendente, com alguns recuos pontuais, até bater em 4,51% em março e abril do ano passado.

O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel, salientou que parte da diferença do déficit em conta corrente de março (US$ 855 milhões) bem inferior à previsão da instituição feita há um mês (déficit de US$ 1,7 bilhão) se deveu, principalmente, ao desempenho da balança comercial do período.

Ele destacou que houve redução de US$ 17,3 bilhões no déficit em transações correntes do primeiro trimestre do ano passado para igual período em 2016 e que esse fenômeno reflete o forte ajuste das contas externas pelo qual passa o País. De janeiro a março de 2015, o rombo foi de US$ 25,1 bilhões e agora passou para US$ 7,6 bilhões.

"Grande parte da diferença de US$ 17,3 bilhões advém da balança comercial, que apresentou aumento de US$ 13,8 bilhões de um período para o outro", comparou Maciel. O técnico comentou que há contração da corrente de comércio, mas que esse movimento há tinha sido visto no ano passado.

Ele disse que há características diferentes a serem avaliadas nas transações comerciais. Houve recuo dos preços dos produtos brasileiros em 19,3%, enquanto o quantum cresceu "de forma importante": 17,7%. "Notem que isso tem impacto sobre a atividade econômica, pois ajuda a mitigar processo de retração da atividade econômica do País", disse. "Isso é um movimento consistente", continuou.

A parte agrícola merece destaque em relação a volumes, com o milho crescendo138% no trimestre, soja em grãos com alta de 65% e carne bovina, de 24%. Há também elevações em manufaturados, como automóveis (69%), plásticos (60%) e laminados de ferro (40%). "Há um leque de produtos demonstrando reação no primeiro trimestre", observou.

Do lado das importações, recuo é expressivo, segundo o chefe de Departamento do BC e reflete a queda de 10% de preços no primeiro trimestre e de 35% de volume. "Claro que isso reflete tanto o câmbio quanto a atividade econômica em retração", disse.

IDP

O chefe do Departamento Econômico do Banco Central afirmou que os Investimentos Diretos no País (IDP), em março, vieram em linha com estimativa do BC, de US$ 5,5 bilhões. Maciel relatou que para abril, a expectativa é de que o ingresso desses recursos fique em US$ 6 bilhões. Até o dia 18, a parcial indica entrada de US$ 3,9 bilhões.

"A situação é confortável em termos de cobertura do déficit em transações correntes", observou Maciel.

Segundo ele, apesar da instabilidade política dos últimos meses, os fluxos de IDP tem se mantido resilientes. "O País continua sendo um grande mercado consumidor, com 200 milhões de habitantes e isso é um ponto relevante para IDP. O dólar mais fraco frente o real e a atividade econômica mais fraca também colaboram para atrair esses recursos", afirmou.