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Ritmo do corte de juro divide mercado

Uma pesquisa feita pelo Projeções Broadcast com 70 instituições financeiras mostra que a única dúvida do mercado em relação à reunião desta quarta-feira, 19, do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, é quanto ao tamanho do corte na taxa de juros. Para 36 instituições, a Selic, hoje em 14,25% ao ano, cai 0,25 ponto porcentual, enquanto outras 32 apostam em queda de 0,5 ponto. Apenas uma aponta corte de 0,75 ponto, enquanto outra fala em manutenção da taxa.

Apesar do consenso, nem todos os analistas acreditam que este seria o momento certo para baixar os juros. "É provável que o BC corte os juros porque o mercado inteiro está posicionado nesse sentido, mas acho um passo precipitado, porque há muita resistência na inflação", diz Armando Castelar, coordenador de Economia Aplicada do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV).

O economista argumenta que, mesmo com o resultado favorável do IPCA de setembro, a inflação de preços livres (não controlados pelo governo) está mais alta que em setembro de 2015, e ressalta que a desinflação que existe hoje é basicamente de preços administrados. "Se o BC estiver certo e a inflação de administrados for 5,8%, a inflação dos preços livres tem de cair de um patamar de 8,7% este ano para 4,1% no ano que vem para que a inflação feche em 4,5%. É muita coisa", afirma.

O economista Nilson Teixeira, que comanda o departamento econômico do Banco Credit Suisse, também acredita que o juro deveria ser mantido, considerando o balanço de riscos da inflação. A instituição, no entanto, acha que a Selic será reduzida em 0,25 ponto porcentual.

Mas, para boa parte dos economistas, a hora de o BC cortar os juros, e de forma até mais acelerada do que o mercado projeta, é agora. Zeina Latif, economista-chefe da XP Investimentos, acredita que o Copom tem condições de reduzir em um ponto porcentual a Selic até dezembro. "Esse corte não tem ousadia, é bem responsável", diz. Mesmo se a inflação acumulada em 12 meses continuar em níveis elevados (8,48% até setembro), ela ressalta que há condições reais para que o BC faça uma redução dessa magnitude.

Entre esses fatores, aponta o cenário agrícola mais favorável à inflação, a PEC do teto dos gastos já ter sido aprovada em primeiro turno na Câmara, a taxa de desemprego estar muito alta, o crédito continuar deprimido, o câmbio estabilizado e a produção industrial se encontrar em patamares muito ruins.

Heron do Carmo, professor da Faculdade de Economia e Administração da USP, faz coro. Ele acredita que o Copom vai reduzir em um ponto a Selic até o fim do ano, 0,50 ponto em cada reunião. "Essa redução de um ponto considera toda a cautela que o BC deve ter", ressalta o economista.

Safra

Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados, diz que as condições objetivas para o corte dos juros hoje estão relacionadas ao arrefecimento da inflação. Ele observa que os resultados do IPCA de setembro vieram muito favoráveis e que será difícil ter um crescimento mais forte dos preços agrícolas por causa da grande safra prevista para 2017. Também o reajuste menor do salário mínimo no ano que vem deve ajudar na inflação de serviços e a recente redução no preço da gasolina contribui para que o IPCA feche o ano um pouco abaixo de 7%.

Quanto à PEC do Teto, Vale pondera que, mesmo aprovada em 1.º turno, "existe sempre o risco de algo sair errado, apesar de não parecer ser o caso". Diante desse cenário, o economista acredita que exista espaço para cortar a Selic em 0,25 ponto em cada uma das reuniões. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.