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Safdié, banqueiro que criou e vendeu negócios no Brasil e exterior, é sepultado

O ex-banqueiro Edmundo Safdié, fundador do Banco Cidade, instituição financeira que foi vendida em 2002 ao Bradesco, foi sepultado nesta sexta-feira (17) no Cemitério Israelita do Butantã, em São Paulo. Ele morreu na quinta-feira, aos 87 anos. Além de investir no setor financeiro, Safdié também tinha negócios na indústria aeroespacial, como uma fatia minoritária na fabricante de helicópteros Helibras.

Conterrâneo da família Safra, Safdié também foi um dos libaneses de origem judaica pioneiros na indústria bancária brasileira. Fundou o Banco Cidade em 1965 junto com o seu cunhado, Isaac Harari. O Banco Cidade teve diversos sócios estrangeiros ao longo do seu período de atuação, como a Companhia Dow Chemical, o suíço Swiss Bank e o francês Banque Nationale de Paris (BNP). Em 2002, o Banco Cidade foi vendido ao Bradesco por R$ 366 milhões. Safdié deixou o negócio após a venda da empresa.

Na época da negociação, o Banco Cidade possuía 24 agências no Brasil e tinha 49,7 mil clientes. Com cerca de R$ 2 bilhões em ativos, o Banco Cidade era listado em setembro de 2001 na 46ª posição no ranking de maiores instituições financeiras do País.

Além do antigo Banco Cidade, Safdié também investiu em bancos de investimento nos Estados Unidos e na Suíça. Comprou o Multi Commercial Bank, sediado em Genebra, que foi rebatizado como Banque Safdié. Ele também criou o banco americano Commercial Bank of New York, vendido em 2001.

A família Safdié se desfez de toda a sua operação no Banque Safdié em 2011, que foi vendido por 143 milhões de francos suíços para o banco Leumi, de Israel. O banqueiro também investiu em butiques de gestão de fortunas no Brasil e no exterior. Em 2003, criou a brasileira Multi Bank DTVM. A empresa mudou de nome para Safdié Private Banking e, posteriormente, Safdié Gestão de Patrimônio, até ser vendida para o banco Modal em 2014.

Os negócios da família Safdié estão reunidos no Grupo Bueninvest. A companhia possui uma participação de 3% na Helibrás. Safdié entrou no negócio em 1990, quando a empresa foi privatizada, e sua participação foi diluída ao longo dos anos após os investimentos feitos pelo grupo Airbus. Até hoje a holding Bueninvest pode indicar um assento no conselho de administração da Helibras.

O nome da instituição financeira de Safdié na Suíça chegou a ser citado em denúncias de desvio de dinheiro público. Em 2013, autoridades sequestraram 7,5 milhões de euros de contas no banco Safdié de Genebra que teriam sido utilizadas para o pagamento de propinas da Alstom a funcionários do governo de São Paulo em 1998.

Comunidade judaica

Safdié foi um membro atuante da comunidade judaica brasileira. Foi presidente do conselho deliberativo da Câmara Brasil-Israel de Comércio e Indústria entre 2000 e 2012.

Em nota, a Federação Israelita destacou as contribuições do empresário para a pesquisa do câncer, AIDS e imunologia da Universidade Bar Ilan de Israel, da qual recebeu o título de "Doutor Honoris Causa" e do seu apoio a entidades judaicas como Centro de Arqueologia da Universidade Hebraica de Jerusalém.