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Sazonalidade não ajudou taxa de desemprego no último trimestre de 2015, diz IBGE

(Foto: Camila Domingues/ Palácio Piratini) - Sazonalidade não ajudou taxa de desemprego no último trimestre de 2015, diz IBGE
(Foto: Camila Domingues/ Palácio Piratini)

A sazonalidade não ajudou a reduzir a taxa de desemprego no último trimestre de 2015, notou Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa de desemprego encerrada no trimestre móvel de novembro foi de 9,0%, mesmo resultado do trimestre encerrado em dezembro, segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua).

O resultado foi ainda superior ao registrado no terceiro trimestre do ano passado, quando a taxa de desocupação era de 8,9%. Tradicionalmente, a taxa de desemprego recua nos finais de ano em função das contratações de funcionários temporários.

"A presença do mês de dezembro é um componente muito forte. Há menos dias de procura (por emprego), absorção de (trabalhadores) temporários. A taxa de desocupação tende a ser menor. Não aconteceu este ano", ressaltou Azeredo.

O nível da ocupação - proporção das pessoas ocupadas em relação à população em idade de trabalhar - atingiu 55,9% no quarto trimestre de 2015, o mais baixo patamar da série histórica da pesquisa, iniciada em 2012.

Homens

A taxa de desocupação cresceu principalmente entre os homens, na faixa de 40 a 59 anos. "Aumentou mais a taxa de desemprego entre os homens. Isso faz com que aumente mais a população desocupada, porque muitas vezes ele é arrimo de família", acrescentou Azeredo.

A taxa de desocupação média entre os homens em 2015 saltou 26,5% em relação a 2014, enquanto a das mulheres aumentou 22,8%. A taxa de desemprego média para ambos os sexos cresceu 24,9%.

A taxa de desemprego entre os homens passou de uma média de 5,8% em 2014 para 7,3% em 2015, e a das mulheres subiu de 8,2% para 10,1%. A taxa de desemprego geral cresceu de 6,8% para 8,5%.

A faixa etária que teve maior crescimento na taxa de desemprego foi a de 40 a 59 anos, de 27,9%, embora os jovens possuam a taxa de desocupação mais elevada. A taxa de desocupação para a faixa etária de 18 a 24 anos foi de 19,4% no último trimestre de 2015, enquanto a da faixa de 40 a 59 anos ficou em 4,9%.

Sudeste

Todos os Estados do Sudeste registraram no último trimestre de 2015 a maior taxa de desemprego da série histórica da Pnad Contínua, iniciada em 2012 pelo IBGE. As dispensas de trabalhadores da indústria estariam por trás do desempenho negativo.

"A região Sudeste é formada pelos estados que têm as maiores indústrias, especialmente automobilística. De certa forma, é a situação que mostra redução (na ocupação), principalmente relacionada à indústria. É a região mais forte na indústria, e a região em que mais caiu (a ocupação)", afirmou Cimar Azeredo.

A indústria demitiu 1,065 milhão de trabalhadores no quarto trimestre de 2015 ante o quarto trimestre de 2014. No Estado de São Paulo, que tem o maior parque industrial do País, a taxa de desemprego média ficou em 9,3% em 2015, ante 7,1% em 2014. "Foi por conta da indústria, que foi quem mais dispensou (trabalhadores). E esse efeito farol pode ter reflexo posteriormente em outras regiões", disse Azeredo.

O pesquisador lembrou que São Paulo costuma antecipar movimentos que estão para acontecer em outras regiões do País. "Principalmente a região metropolitana de São Paulo prenuncia o movimento no mercado. Como tem uma presença muito forte economicamente, ela costuma anunciar movimentos (de contratação ou de dispensa de trabalhadores)", acrescentou ele.

No último trimestre de 2015, a taxa de desemprego em São Paulo atingiu 10,1%, bastante acima da média nacional para o período (9,0%). No Rio de Janeiro, a taxa ficou em 8,5%; em Minas Gerais, em 9,3%; e no Espírito Santo, em 9,1%.

Segundo Azeredo, a deterioração no mercado de trabalho é reflexo do cenário de recessão na atividade econômica. "Tudo o que acontece no mercado de trabalho é reflexo do cenário econômico. Quando o mercado se mostra em recessão, com uma crise econômica, você vai ter redução no contingente de pessoas ocupadas, consequentemente, tem aumento da informalidade, redução no poder de compra da população, grupamentos mais organizados apresentando redução (na ocupação), como é o caso da indústria", contou.