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Sem quórum, comitê do FI-FGTS adia decisão sobre aportes de até R$ 703,7 mi

O governo esvaziou a reunião do comitê de investimento que decidiria nesta quarta-feira, 15, até R$ 703,7 milhões em aportes do fundo que usa uma parcela do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FI-FGTS) para investimentos em infraestrutura. A reunião foi cancelada por falta de quórum.

O comitê é formado com representantes do governo (6 membros), dos trabalhadores (3 representantes de centrais sindicais) e dos patrões (3 representantes de confederações). O quórum mínimo para aprovar os projetos é de 9 pessoas. No encontro de hoje, só tinha três representantes do governo, três da bancada dos trabalhadores e dois da bancada dos empregadores.

A quarta reunião extraordinária do FI-FGTS decidiria o aporte de até R$ 400 milhões, em ações ou dívidas, para a Energimp, geradora de energia do grupo argentino Impsa. Com o aporte, o fundo - que tem atualmente 45% da empresa - poderia assumir o controle da companhia. O assunto já tinha sido suspenso em abril, quando o fundo deu tempo para que se avançasse as negociações com os credores da encrencada Wind Power Energia (WPE), a outra empresa do grupo por meio da qual a Impsa fez os investimentos na Energimp, e com os fornecedores dos geradores.

Também estavam na pauta o aporte de até R$ 123,7 bilhões na Alupar Investimentos e o financiamento, por meio de debêntures, de até R$ 180 milhões para a Ventos de São Clemente, que tem parques eólicos no Nordeste.

Transição

Com o afastamento do governo da presidente Dilma Rousseff, a bancada do governo ficou esvaziada. Cláudio Puty, que assumiu a presidência em abril deste ano, saiu do cargo depois que Dilma foi afastada da mesma forma que deixou o cargo de secretário-executivo do Ministério do Trabalho, até então comandado por Miguel Rossetto.

Os novos ministros ainda não indicaram os representantes das respectivas pastas para o comitê que comanda investimentos do fundo bilionário (patrimônio de R$ 34 bilhões), gerido pela Caixa. A bancada do governo é formada com representantes dos ministérios do Trabalho, Cidades, Fazenda, Indústria e Comércio Exterior, Planejamento, além da Caixa.

Como apontou a Coluna do Estadão na edição desta quarta-feira, 15, o comitê teria que decidir hoje se Zarak Ferreira, funcionário de carreira do Ministério do Planejamento, que ocupa interinamente a presidência, ficaria até o fim do mandato ou se convocaria novas eleições. Como não teve quórum, a decisão também será adiada.