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Sinais de bancos centrais provocam cautela nas bolsas de Europa e Ásia

A cautela com a política monetária de vários dos principais bancos centrais do mundo provocou uma onda de aversão ao risco nas bolsas europeias e asiáticas. Além disso, a queda forte dos índices acionários de Nova York na sexta-feira e outras notícias, como a frágil condição de saúde de Hillary Clinton, a candidata democrata à presidência dos Estados Unidos, também influíram.

Na quinta-feira, o Banco Central Europeu (BCE) decidiu manter inalterada sua política monetária, frustrando as expectativas de anúncio de mais relaxamento, o que foi o ponto de partida para uma correção nos mercados, segundo avaliação do Société Générale. O susto dos investidores foi maior após o presidente do Federal Reserve de Boston, Eric Rosengren, tradicionalmente um defensor de uma estratégia "dovish" (favorável a uma política monetária mais relaxada) no banco central norte-americano, dizer na sexta-feira que poderia ser "apropriado" elevar os juros em breve nos EUA. Rosengren tem direito a voto nas decisões de política monetária neste ano. Agora, há expectativa pela fala de Lael Brainard, outra dirigente do Fed que vota. Brainard, também apontada como "dovish", discursa às 14h (de Brasília) de hoje, último dia antes do início do período de silêncio até a reunião de política monetária de 20 e 21 de setembro.

Na sexta-feira, o Dow Jones caiu 2,13%, o Nasdaq recuou 2,54% e o S&P 500 teve baixa de 2,45%. O Dow Jones e o S&P 500 registraram as maiores quedas porcentuais desde o fim de junho, quando o Reino Unido votou para sair da União Europeia. Entre as bolsas asiáticas, nesta segunda-feira a Bolsa de Xangai caiu 1,85% e Hong Kong recuou 3,36%. As principais bolsas europeias operam no negativo e chegaram a recuar mais de 2% nesta sessão.

Na China, o economista-chefe do Banco do Povo da China (PBoC, na sigla em inglês), Ma Jun, disse em entrevista que o país deve "conter o financiamento excessivo no setor imobiliário", o que gerou o temor entre investidores de que a instituição decida não afrouxar mais sua política monetária. O Banco do Japão (BoJ, na sigla em inglês), que se reúne na próxima semana, pode não anunciar novas medidas. Na Europa, o Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês) se reúne nesta quinta-feira e analistas acreditam que, diante de dados positivos recentes do Reino Unido, pode não haver mais estímulos.

Há, ainda, a cautela com o cenário político norte-americano. A candidata democrata Hillary Clinton passou mal durante uma cerimônia ontem para marcar os atentados de 11 de setembro de 2001 e foi diagnosticada com pneumonia. A chance de o republicano Donald Trump vencer a disputa contribui para a reserva entre os mercados. Com informações da Dow Jones Newswires.