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Sindicato teme 'tragédia' se PM entrar na Mabe

O Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas e Região considera alto o risco de uma invasão na unidade da multinacional Mabe em Campinas (SP) terminar em confronto e tragédia. "Depois do modo como a polícia invadiu a unidade de Hortolândia, utilizando helicóptero, com mais de 80 PMs para retirar poucos trabalhadores e impedindo a entrada de advogados, os funcionários de Campinas radicalizaram. Estamos orientando o pessoal a ter calma, mas eles estão desesperados e uma invasão pode acabar em morte. Isso não é exagero", disse Sidalino Orsi Júnior, presidente do sindicato.

Segundo ele, após reunião com a Polícia Militar ficou acertado que a desocupação não ocorrerá até o resultado de duas reuniões. Uma será entre trabalhadores, credores e a administração da massa falida hoje, em Hortolândia. Outra será segunda-feira, no Ministério Público do Trabalho em Campinas.

A fábrica de Hortolândia foi desocupada no domingo, mas a de Campinas continua ocupada. Os trabalhadores fizeram barricadas com caixas, pneus e carros, que podem ser incendiados caso a PM tente invadir. O material está coberto por uma substância parecida com óleo.

A administradora da massa falida afirmou que os trabalhadores podem destruir o maquinário destinado a leilão para pagamento de dívidas trabalhistas. Os funcionários dizem que não estão nas áreas onde ficam os equipamentos.

A administração também divulgou áudio em que alguém faz ameaças ao administrador Nilton Tavares. "Não sabemos quem fez isso, mas era esperado. O executivo abriu seu WhatsApp para os trabalhadores. São 1,9 mil funcionários e seus familiares que estão sem receber desde dezembro, desesperados, alguns perdendo casa e carro. Alguém iria perder a cabeça", disse Orsi.

Adriano Soares, 38 anos, que há 16 trabalha na Mabe como operador de produção, é um dos que estão na fábrica de Campinas. "Tenho dois filhos, um de 18 e outro de dois anos, e não tenho como pagar pensão. Também tenho um imóvel financiado, que ainda tem 20 anos para pagar, e posso perder por não ter como quitar as prestações."

César Pereira Sanguineti, 30 anos, está há sete anos na Mabe e teve de deixar a casa de aluguel que vivia com a esposa e voltou para a casa dos pais. "Mas tem gente aqui que não tem para onde ir e está morando na fábrica com a família."

O grupo mexicano Mabe fabricava as marcas da linha branca GE, Continental e Dako, e entrou em falência em fevereiro. Demitiu os funcionários sem pagar salários e rescisões. Eles então ocuparam as fábricas. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.