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Tanure e Aurelius se unem para ter influência no conselho da Oi

O empresário Nelson Tanure foi procurado pelo fundo Aurelius para unir forças e tentar destituir membros da Pharol, ex-Portugal Telecom, do conselho de administração da companhia. Em paralelo, Tanure, que adquiriu participação na tele por meio de um fundo, foi à Justiça contra decisão do colegiado de solicitar que o juiz responsável pela recuperação judicial avalie se a convocação de assembleia para alterar parte do conselho é pertinente.

O sócio do escritório Galdino, Coelho, Mendes Advogados (GCM), João Mendes, defende que o conselho fez uma "manobra". Para o advogado, que representa o fundo Société Mondiale, da gestora Bridge Administradora de Recursos, ligada a Tanure, uma decisão da Justiça impedindo a realização da assembleia iria "sufocar de morte a recuperação judicial". Procurada, a Oi não quis comentar.

Em comunicado a sexta-feira, a tele informou que a determinação ocorreu tendo em vista decisão da 7.ª Vara Empresarial do Rio sobre a necessidade de prévia aprovação pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) no caso transferência de controle da Oi e troca dos membros do conselho. Para Tanure, a anuência prévia da Anatel é relativa à efetiva posse dos conselheiros eventualmente eleitos, e não sobre a destituição de conselheiros.

Ao mesmo tempo, Tanure se juntou ao Aurelius. O entendimento de ambos é o de que os portugueses no conselho impedem os melhores interesses da Oi. A Pharol tem 22,24% de participação total na Oi, enquanto Tanure, por meio do fundo Société Mondiale, tem 6,63%.

O Société Mondiale pediu, no último dia 7, ao conselho da Oi, convocação de assembleia de acionistas para deliberar sobre a convocação de novos membros do colegiado.

Paralelamente, o Aurelius também trava uma disputa com os credores representados pela Moelis que negociaram com a empresa uma reestruturação antes do pedido de recuperação. O fundo alertou detentores de bônus emitidos por subsidiárias da Oi contra uma tentativa do grupo de sobrevalorizar sua posição no plano de reestruturação da dívida da empresa.

O comitê diretor do grupo de credores da Oi, que detém aproximadamente 40% dos títulos da empresa, divulgou nota rebatendo as críticas do Aurelius, que estaria buscando "uma agenda" a partir de informações incompletas.

O Aurelius, conhecido por sua agressividade nas negociações com empresas em dificuldade financeira, entrou com pedido de falência da Oi na Holanda. O pedido será julgado no dia 9 de agosto e que, segundo especialistas, pode correr em paralelo à recuperação judicial no Brasil. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.