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Taxas futuras de juros se ajustam à fala de Fischer e fecham sessão em alta

A declaração "hawkish" do vice-presidente do Federal Reserve, Stanley Fischer, dada no início da tarde desta sexta-feira, 26, colocou os juros futuros em trajetória de alta até o fechamento da sessão regular e trouxe também reforço no volume de contratos negociados.

Fischer afirmou que o discurso da presidente do Fed, Janet Yellen, mais cedo, na abertura do simpósio anual de Jackson Hole, foi "consistente" para possíveis duas altas nas taxas de juros nos Estados Unidos neste ano.

O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro fechou em 14,005%, com 101.250 contratos, ante 13,995% no ajuste de quinta-feira, 25. O DI janeiro de 2018 (153.080 contratos) avançou de 12,73% para 12,77%. O DI janeiro de 2019 (223.705 contratos) fechou em 12,29%, de 12,17%. O DI para janeiro de 2021 (230.020 contratos) encerrou em 12,17%, de 11,99%.

Pela manhã, o discurso de Yellen, às 11h, foi considerado menos "hawkish" do que o esperado, e os juros reagiram em baixa. Embora tenha dito que "o argumento a favor de um aumento da taxa dos Fed funds se fortaleceu nos últimos meses", por outro lado, a presidente do BC norte-americano lembrou que "as decisões também dependem do grau em que os próximos dados continuem a confirmar a perspectiva (do Fed)".

No começo da tarde, contudo, Fischer, em entrevista à rede CNBC, disse que o discurso de Yellen foi "consistente" para possíveis duas altas nas taxas de juros nos EUA neste ano. Houve reação imediata dos ativos financeiros, com expressivo avanço no rendimento dos Treasuries e dólar batendo máximas.

No Brasil, os juros zeraram o recuo e passaram a subir, renovando máximas ao longo da tarde. "Quando o Fischer diz que o discurso é compatível com duas altas, implica em mudanças importantes na curva de juros do mercado", observou o economista da Saga Capital, William Michon Jr.

Há receio de que um aperto antecipado de juros nos EUA reduza a atratividade dos ativos de mercados emergentes, afetando, assim, o fluxo de recursos que, no caso do Brasil, acredita-se, vai crescer se confirmado o impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Com o foco 100% no exterior, o noticiário local ficou em segundo plano nesta sexta-feira. O julgamento de Dilma entrou no segundo dia, marcado por bate-boca entre os parlamentares. Ainda na política, a Polícia Federal indiciou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sua esposa Marisa Letícia e o ex-presidente do Instituto Lula Paulo Okamoto no inquérito que investiga o tríplex do Condomínio Solaris, no Guarujá, litoral paulista.