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“Tem de taxar dinheiro especulativo”, diz Diniz

Abilio Diniz está confiante que a nova equipe econômica do governo está no caminho certo para resgatar a confiança do empresariado. "O governo de Michel Temer está cercado de pessoas de competentes", afirma, referindo-se ao ministro da Fazenda, Henrique Meirelles; e ao presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn. Se por um lado, o Banco Central tem tomado medidas para controlar a inflação, Abilio Diniz teme o que chama de efeitos colaterais. "Para combater a inflação, não pode baixar a taxa de juros. Com isso, atrai dinheiro de fora, derruba o dólar e valoriza o real." Para o empresário, seria necessário taxar o dinheiro especulativo que entra no Brasil. Diniz também classificou a gestão passada do BNDES como "um desastre".

Os atuais rumos da economia estão no caminho certo?

O Ilan diz que vai derrubar a inflação no ano que vem e colocar no centro da meta, de 4,5%. Ele está fazendo isso. É um guardião da inflação. Mas têm os efeitos colaterais. Para combater a inflação, não pode baixar a taxa de juros. Com isso, atrai dinheiro de fora, que é especulativo de curto prazo. Isso derruba o dólar. O real vai se valorizando cada vez mais. É ruim porque é fictício.

Como equilibrar essa equação?

Não acho que seja um papel do Banco Central. Este é problema da Fazenda. Não tem que ter pudor com dinheiro especulativo. Tem de taxar. Coloca IOF (imposto sobre operações financeiras), arrecada e põe no caixa. Quando você taxa, o investidor entende isso. A taxação é uma diminuição da taxa de juros. Esse tipo de medida tem que ser tomada. Uma das críticas, no passado, foi a valorização do real. Foi ruim para economia como um todo. Não vamos cometer erros antigos. Não vamos deixar o real se apreciar demais. É um ponto que vão ter que cuidar. É muito ruim para o investidor uma taxa de câmbio volátil.

Como o sr. vê o papel do BNDES nesse atual governo? Só neste primeiro semestre, teve um prejuízo de R$ 2,2 bilhões.

Esse prejuízo não me assusta porque o BNDES foi um desastre nos últimos anos. Houve um direcionamento errado para as grandes empresas, com equívoco. A maneira como distribuiu o dinheiro. Qual o papel vai fazer? Não sei dizer, mas vai entrar no rumo certo. Tem que ser um banco de desenvolvimento, mas não pode perder dinheiro, tem de fomentar.

E suas expectativas para o cenário político para 2018?

Eu prefiro olhar, neste momento, para o dia de hoje. Tem muita coisa a ser feita. Temos de vencer 2017. Caso contrário, 2018 vai ser um terror.

E seus negócios? Qual a ambição para o Carrefour global?

Estou fazendo um trabalho diferente do que sempre fiz. Sempre fui um cara que diz que nunca tenho pressa, mas ando em alta velocidade. No Carrefour global tem sido um trabalho de construção. Desde 2009, tenho contato com acionistas, antes de tentativa de fusão com GPA (em 2011). Após minha saída do Pão de Açúcar (em 2013), passei a comprar ações do Carrefour. Meu alvo sempre foi o Carrefour global, mas os gestores disseram que primeiro eu tinha de pensar no Carrefour Brasil. A gente segue a regra (o empresário detém 12% do Carrefour Brasil). Depois, por meio da Península, começamos a comprar ações no mercado do Carrefour global (fatia de 8,05%).

Pretende aumentar a fatia?

Somos o terceiro maior acionista (atrás da família Moulin, da Galeries Lafayette; e de Bernard Arnault, dono da Louis Vuitton). O foco não é comprar mais ações, mas melhorar a performance do Carrefour global e participar da gestão. Em todos os negócios, a Península quer participar a gestão. É o que fazemos melhor.

Se encontrasse o Jean-Charles Naouri (dono do Casino, controlador do GPA, e antigo desafeto de Abilio) na rua, o que falaria?

Olá, Jean-Charles. Como está? Naquele momento mais crítico (do litígio), até voltei a lutar boxe. Foi difícil. Depois passa. De 1999 (quando o Casino tornou-se sócio de Abilio) a 2009 (antes da relação azedar), trabalhamos juntos. São dez anos. Uma vida. Fiz muita coisa pelo Casino. Não sou de guardar rancor. Eu me reinventei.

As informações são do jornal O Estado de S.Paulo