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Temer visita maiores aliados no Mercosul

O presidente Michel Temer visita nesta segunda, 3, Argentina e Paraguai, os países do Mercosul que deram o apoio mais contundente ao processo de impeachment que o levou ao poder. Temer chega à Argentina em meio à esperança do país de conseguir reerguer a própria economia se a do Brasil deixar de cair.

Na quarta-feira, Mauricio Macri atendeu jornalistas brasileiros na Quinta de Olivos, a residência oficial, onde também receberá Temer. Questionado sobre a razão de a Argentina não decolar, apesar de ele ser visto com otimismo pelo mercado e uma espécie de antídoto ao populismo, Macri citou a herança kirchnerista e o Brasil.

"Não é fácil começar um governo depois de uma década de altíssima inflação, de forte déficit fiscal, perda de reserva, de perda de competitividade, de relações com o mundo, de falta de energia. Se o Brasil deixa de cair, também nos ajudará, porque é o principal comprador."

O governo argentino reconheceu a legitimidade de Temer sete minutos após sua posse, em 31 de agosto. Durante a crise política brasileira, os ministros argentinos diziam torcer por uma definição, não importava qual. Na embaixada brasileira, prevalece a impressão de que os argentinos não pensam em pedir algo em troca do apoio tão explícito.

Na opinião do presidente da Câmara de Exportadores da Argentina, Enrique Mantilla, demandas pontuais de cada lado são a parte menos importante na visita de Temer. "É a chance de uma grande atualização institucional do Mercosul. A Argentina retirou as declarações juradas antecipadas de importações, já é possível financiar e há liberdade de movimentos de capitais. Mudou muito, mas precisamos harmonizar normas fitossanitárias e ter uma coordenação para que uma coisa inspecionada de um lado seja aceita do outro", exemplifica.

Para o presidente da Câmara de Importadores da Argentina, Ruben Oscar García, não foi o governo que impediu o mercado argentino de se abrir mais aos brasileiros, mas a recessão e a queda no consumo.

O Paraguai, como a Argentina, manteve-se próximo de Temer tanto no processo de impeachment quanto na contrariedade à chegada da Venezuela à presidência do Mercosul, defendida só pelo Uruguai. A chancelaria em Montevidéu reconheceu a legalidade de Temer, mas classificou como "injusta" a saída de Dilma. Esse é um dos motivos para o país ter ficado de fora do tour. A assessoria da presidência paraguaia diz que a intenção do convite é "contribuir para que Temer seja reconhecido plenamente".