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Tesouro capta US$ 1,5 bilhão em emissão de Global 2026, com retorno de 6,125%

O Tesouro Nacional informou nesta quinta-feira, 10, que captou US$ 1,5 bilhão em bônus com vencimento em 2026, oferecendo aos investidores um retorno de 6,125% ao ano, o mais alto desde janeiro de 2009. Depois de um ano e meio sem fazer operações desse tipo, o governo brasileiro encontrou uma janela de oportunidade, considerando a melhora do mercado externo nos últimos dias.

O retorno (yield), conforme adiantou o Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, é 57,86% superior ao da última emissão feita pelo País no exterior, em setembro de 2014, quando o valor oferecido na reabertura dos bônus 2025 foi de 3,888%. No mercado secundário, o bônus 2025 paga hoje retorno de 5,85%.

Segundo o Tesouro, foi registrado um spread de 419,60 pontos-base acima do Treasury (título do Tesouro Norte Americano). A emissão foi colocada ao preço de 99,066% do seu valor de face. A liquidação financeira da operação ocorrerá em 17 de março de 2016 e os cupons serão pagos nos dias 7 de abril e 7 de outubro de cada ano, até o vencimento em 2026.

O retorno vem mais alto em um ambiente de crise política e econômica, além da perda de grau de investimento do País. Este é a primeira vez que o Brasil vai ao mercado depois de a nota de classificação de risco ter sido rebaixada pelas agências Standard & Poor's, Fitch e Moody's.

A intenção do governo ao emitir os títulos neste momento foi aproveitar a janela de oportunidade que se abriu com a maior procura por ativos brasileiros nos últimos dias - ocasionada principalmente pela questão política - e também com o aumento no preço do petróleo e perspectivas menos pessimistas em relação à China.

O Ministério da Fazenda avalia que a captação pode ser um importante teste da percepção dos investidores estrangeiros no País, justamente num momento em que o Brasil enfrenta grandes dificuldades, que levaram o País a perder o grau de investimento. Esta captação soberana servirá de referência para as próximas emissões das empresas brasileiras no mercado internacional.

A operação do Brasil segue a de outros países emergentes que também estão acionando o mercado internacional nos últimos dias. A operação desta quinta-feira, que foi considerada bem sucedida pelos organizadores, foi feita pelo Bank of America Merrill Lynch e JP Morgan. A demanda dos investimentos pelo Global 2026, anunciado hoje no meio do dia, ficou próxima de US$ 6 bilhões.

A opção pelo prazo de 10 anos foi considerada "natural", já que a outra alternativa - um papel com prazo de vencimento mais longo, de 30 anos - é bem mais difícil de ser colocada no mercado, principalmente depois de um ano e meio em que o Brasil esteve fora do mercado internacional.