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Trabalhadores contra o sindicato

Um protesto de funcionários da Carmen Steffens, que produz calçados e artigos de couro, parou o centro de Franca ontem. Mais de 400 trabalhadores protestaram na porta do Sindicato dos Sapateiros contra a postura dos sindicalistas de não aceitar a proposta da empresa, que ofereceu redução da jornada de trabalho e dos salários para evitar 127 novas demissões. Segundo a entidade, outros 200 já teriam perdido o emprego neste ano.

A empresa quer cortar o turno das sextas-feiras e os manifestantes alegam que o sindicato não ouviu a maioria deles, que seria favorável à medida. Após o protesto, que interrompeu o trânsito na Rua Padre Anchieta, uma das principais da cidade, sindicalistas resolveram reabrir as negociações.

"O sindicato deve ouvir e se pôr no lugar de cada um antes de tomar qualquer decisão", diz o funcionário Thiago Melvilhe. "Eles não veem que muita gente vai perder o emprego, incluindo pais de família", reclamou Odair dos Santos, que também trabalha na Carmen Steffens. Ele é favorável ao acordo, mesmo com redução de salários.

Ligado à Central Única dos Trabalhadores (CUT), o Sindicato dos Sapateiros chegou a negociar com a empresa. Mas na quarta-feira declarou que a proposta empresarial havia sido rejeitada, para que medidas do tipo não se espalhem por outras fábricas. O presidente da entidade, Sebastião Ronaldo de Oliveira, disse ontem que voltará a se reunir com representantes da empresa na segunda-feira. "Mas não concordamos em rebaixar a condição de vida do trabalhador e não aceitamos demissões", afirmou.

Um representante da empresa, Miguel Migueletti, disse que, com a recusa do sindicato, os empregados já começaram a receber o aviso prévio. "A abertura de negociação é um sinal de que isso pode ser evitado." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.