24°
Máx
17°
Min

Um dia após votação do impeachment, mercado reage de forma cautelosa

(Foto: Georgina Garcia / Brazil Photo Press / Estadão Conteúdo) - Um dia após votação do impeachment, mercado reage de forma cautelosa
(Foto: Georgina Garcia / Brazil Photo Press / Estadão Conteúdo)

Um dia após a Câmara aprovar o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, o otimismo registrado pelo mercado financeiro nas últimas semanas, com uma queda acentuada do dólar e altas sucessivas da bolsa, se transformou em cautela. Na segunda-feira, 18, a moeda americana fechou em alta de 2,24%, cotada a R$ 3,6054. Na semana passada, havia recuado 1,97%. A Bovespa, por sua vez, fechou em queda de 0,63%, aos 52.894 pontos.

O movimento de segunda do mercado, no sentido inverso ao das últimas semanas, se deve à realização de lucros por parte de investidores. Para os analistas, o mercado financeiro vai viver uma fase de grande volatilidade, enquanto não se confirmar, de fato, a saída de Dilma, o que ainda depende de votação no Senado.

Segundo o economista-chefe do banco ABC Brasil, Luís Otávio de Souza Leal, na visão do mercado, Dilma é a presidente de direito, mas não a de fato, enquanto a Temer cabe o papel oposto. "Nesse período, os dois ficam com capacidade limitada de fazer frente aos desafios", disse. "O detalhe é que Temer não pode montar e anunciar uma equipe agora. Até meados de maio, tudo vai ser especulação, o que é um campo aberto para a volatilidade."

Juan Jensen, economista-chefe da 4E Consultoria, diz que, mesmo com o avanço do impeachment, a instabilidade persistirá até a decisão do Senado, que pode ocorrer até 180 dias após a primeira votação do tema na Casa. "Para o julgamento final no Senado, Dilma precisa de apenas um terço dos senadores para se manter no cargo. Se a votação fosse hoje, haveria uma incerteza bem maior que a de domingo sobre se o impeachment seria aprovado", disse, ponderando que até lá, a situação pode mudar bastante.

Para ele, após Temer assumir a Presidência, a instabilidade até pode diminuir à medida que ficar mais claro que as chances de ele ser removido do posto diminuam.

Na avaliação de Alex Agostini, economista-chefe da agência de risco Austin Rating, o impeachment de Dilma é bem visto pelo mercado financeiro, mas não garante a retomada da confiança dos investidores. "A sinalização tende a ser positiva. O mercado vai dar mais um voto de crédito. Mas o governo precisa fazer reformas", disse.

Segundo ele, a expectativa é que o trâmite do processo de impeachment no Senado tenha placar mais apertado do que teve na Câmara. Mas, uma vez aprovado, o novo governo teria de sentar numa roda de negociação com líderes de todos os partidos apoiadores do processo, mostrando coesão em torno de um novo projeto para o País.

Exterior

Investidores estrangeiros também mostraram cautela na segunda com o processo de impeachment. Analistas entendem que a aprovação na Câmara no domingo e a expectativa de que o Senado fará o mesmo geram a sensação de virada de página. Os ativos financeiros, porém, já haviam antecipado boa parte desse movimento.

Assim, a retomada do otimismo amplo só deve vir quando os agentes econômicos tiverem confiança de que um eventual governo Temer será capaz de avançar com a agenda de reformas defendida pelos investidores há tanto tempo.

"Os problemas continuarão lá esperando uma solução", diz um analista brasileiro que trabalha para um banco europeu. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.