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'Vejo o BC como uma solução, e não como causa da recessão no País', diz Ilan

Ilan Goldfajn está satisfeito. No comando do Banco Central desde 9 de junho, ele evita responder se está "gostando" da função, porque sabe que comandar a autoridade monetária de um País com inflação alta está longe de ser um passeio. "Outro dia vi que estou há quase dois meses aqui. Dizer que estou gostando dá uma ideia de que o BC é um parque de diversões. Não... Isso aqui é um desafio", afirmou em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo.

Goldfajn disse não estar preocupado com as críticas de que a manutenção dos juros altos pode agravar o quadro de recessão. Ao contrário, diz: "O BC é solução para o País sair da recessão."

Ele disse acreditar, também, que não há contradição entre o processo de queda da inflação e a retomada da economia. A seguir, os principais trechos da entrevista:

Como o Banco Central recebe as críticas de que os juros altos aprofundam a recessão?

Vejo o BC como uma solução e não como uma causa.

Solução para a recessão?

Solução para a recessão, porque um Banco Central que passa confiança vai aumentar a credibilidade e, com isso, o investimento consegue voltar. Ele voltando, a retomada continua.

Quanto mais confiança há na desinflação, mais os preços dos ativos começam a reagir. As empresas vão começar a investir. Elas só fazem isso porque olham que o horizonte está ficando melhor. Temos de olhar que há questões que parecem no curto prazo um problema e, na verdade, são o começo da solução.

O sr. chegou ao BC com discurso forte de levar a inflação para o centro da meta, de 4,5%, em 2017. Mas as expectativas continuam acima.

Está havendo desinflação, que tem ocorrido e vai ocorrer nos próximos anos. Estamos vendo as expectativas de inflação diminuindo de forma sistemática. Tanto as de mercado quanto as nossas projeções. E, como colocamos na ata do Copom (Comitê de Política Monetária, que decide os rumos da taxa de juros), gostaríamos que essa velocidade para 2017 fosse mais rápida, de forma a chegar no centro da meta de 4,5%. Está caminhando, mas há trabalho a fazer. Também queria deixar claro que o Copom olha sempre um conjunto amplo de dados. A decisão é subjetiva.

Muitos acreditam que o sr. ainda fará uma meta ajustada de inflação (acima do centro).

Estamos trabalhando para uma meta de 4,5% em 2017. Ela é desafiadora e crível.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.