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Vendas no varejo ficaram estáveis no 4º trimestre de 2015 ante o 3º tri, diz IBGE

As vendas do comércio varejista restrito ficaram estáveis (0,0%) no quarto trimestre de 2015, em relação ao trimestre imediatamente anterior, interrompendo uma sequência de três trimestres de queda, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No varejo ampliado, as vendas encolheram 2,0% no mesmo período.

Das 10 atividades que integram a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), sete apresentaram taxas negativas na passagem do terceiro para o quarto trimestre: veículos, motos, partes e peças (-4,9%); material de construção (-3,8%); combustíveis e lubrificantes (-3,7%); equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-2,6%); livros, jornais, revistas e papelaria (-2,8%); outros artigos de uso pessoal e doméstico (-1,2%) e tecidos, vestuário e calçados (-0,8%). Na direção oposta, mantiveram-se em território positivo os segmentos de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (2,2%); móveis e eletrodomésticos (1,5%) e hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (0,6%).

Em relação ao quarto trimestre de 2014, as vendas do varejo caíram 6,9% no quarto trimestre de 2015, a quarta taxa negativa consecutiva nesse tipo de comparação e a queda mais acentuada da série histórica da pesquisa. Com exceção de produtos farmacêuticos, todas as atividades tiveram perdas.

O IBGE ressalta que a redução de ritmo fica evidente na análise trimestral, com a taxa global passando de -0,8% no primeiro trimestre de 2015 para -6,9% no último trimestre do ano. A desaceleração no ritmo das vendas foi observada por todas as atividades, incluindo artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos, que saiu de 5,8% no primeiro trimestre para 1,6% no quarto trimestre de 2015.

"Todos os fatores que podem ter algum impacto sobre o consumo se deterioraram mais no segundo semestre de 2015, fazendo com que a queda no varejo fosse mais concentrada no segundo semestre do que no primeiro", ressaltou Isabella Nunes, gerente da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE.

No comércio varejista ampliado, o volume de vendas do quarto trimestre de 2015 recuou 12,0% em relação ao mesmo período do ano anterior, também a queda mais acentuada da série histórica para esse tipo de comparação. A atividade de veículos, motos, partes e peças teve perda de 22,7%, enquanto material de construção registrou redução de 14,2%.

Exceção de 2015

Segundo o IBGE, o recuo de 4,3% nas vendas do comércio varejista em 2015 foi resultado de uma perda praticamente generalizada entre os oito segmentos pesquisados. A única atividade que escapou da retração foi a de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria, com elevação de 3% nas vendas.

"O único grupamento que mostra resultado positivo é farmácia, porque é um setor que oferta bens essenciais e de demanda contínua", ressaltou Isabella Nunes. "Mas farmácia está perdendo ritmo. Embora sejam produtos essenciais, a renda (menor) tem um impacto também", completou a pesquisadora.

A atividade de produtos farmacêuticos, embora tenha permanecido com expansão, teve em 2015 o mais baixo resultado da série histórica da pesquisa, iniciada em 2001.

As principais contribuições para o recuo geral do varejo no ano foram de móveis e eletrodomésticos (-14,0%); hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-2,5%); tecidos, vestuário e calçados (-8,7%) e combustíveis e lubrificantes (-6,2%).

Os demais resultados negativos no ano foram de livros, jornais, revistas e papelaria (-10,9%); equipamentos e material de escritório, informática e comunicação (-1,7%) e outros artigos de uso pessoal e doméstico (-1,3%).

No varejo ampliado, o recuo de 8,6% no ano teve influência também das perdas de veículos e motos, partes e peças (-17,8%) e material de construção (-8,4%). Os desempenhos de veículos, material de construção, móveis e eletrodomésticos, livros e tecidos no ano também foram os piores registrados pela pesquisa.

Bens duráveis

O recuo nas vendas do varejo na passagem de novembro para dezembro foi espalhado, embora mais acentuado nos setores que vendem bens de consumo duráveis, ressaltou Isabella Nunes.

O volume de vendas no varejo caiu 2,7% no período. No setor de móveis e eletrodomésticos a queda chegou a 8,7%, após resultados positivos nos três meses anteriores, período em que acumulou avanço de 7,8%. Na atividade de equipamentos de escritório, informática e comunicação, o tombo foi de 9,1%, compensando o ganho de 18,8% registrado no mês anterior.

"Seis atividades mostram recuo nas vendas. Mas o impacto está muito concentrado em setores que comercializam bens de consumo duráveis, como móveis e eletrodomésticos, equipamentos de comunicação, especialmente tablets e smartphones. Porque, em novembro, teve antecipação das vendas, o que vem ocorrendo cada vez mais", afirmou Isabella.

Black Friday

As duas atividades tiveram resultado forte de vendas em novembro ante outubro, estimuladas pelas promoções da Black Friday e compras antecipadas de Natal através do comércio eletrônico. "As promoções de novembro tem muito a ver com esse segmento de bens de consumo duráveis. Novembro foi um mês um pouco fora da curva", completou a pesquisadora.

Segundo Isabella, as promoções da Black Friday e a antecipação de compras para o Natal via comércio eletrônico estão até mudando a sazonalidade da Pesquisa Mensal de Comércio. O mês de dezembro, que tradicionalmente concentrava mais as vendas, está cada vez mais próximo do desempenho de novembro.

"O que vem acontecendo nos últimos três anos é que essa diferença entre novembro e dezembro vem se encurtando. Não por acaso você tem nesses anos essas promoções mais agressivas de bens duráveis e aumento no hábito de compras online. Você compra antes (no comércio eletrônico), porque tem logística de entrega e só paga o cartão em dezembro", explicou ela.

Os demais resultados negativos em dezembro ante novembro foram registrados em outros artigos de uso pessoal e doméstico (-3,6%); hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-1,0%); tecidos, vestuário e calçados (2,1%); e livros, jornais, revistas e papelarias (-1,4%).

"A queda no varejo também tem influência forte do setor de alimentos e bebidas, que pelo segundo mês mostra recuo e vem sofrendo com o aumento de pressão inflacionaria e queda na renda real", completou Isabella.

As taxas positivas foram registradas em artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (0,4%) e combustíveis e lubrificantes (0,5%).

No varejo ampliado, as vendas recuaram menos do que no restrito, -0,9%, devido à expansão no volume vendido por veículos e motos, partes e peças (0,4%) e por material de construção (1,1%).