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Visita técnica estimula inovação em micro e pequenas empresas do Oeste do PR

A atuação dos agentes locais de inovação começa com a sensibilização dos empresários (Foto: Assessoria) - Visita técnica estimula inovação em micro e pequenas empresas do Oeste
A atuação dos agentes locais de inovação começa com a sensibilização dos empresários (Foto: Assessoria)

Inovar como estratégia para aumentar a competitividade nos pequenos negócios é o foco do Programa Agentes Locais de Inovação (ALI), do Sebrae/PR em parceria com Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). 

Empresários integrantes do programa no oeste paranaense, além das orientações e consultorias, saíram da rotina e tiveram acesso a uma ação que possibilitou ver a prática da inovação em processos e qualidade.

O consultor do Sebrae/PR Emerson Durso explica que a proposta surgiu da própria agente local de inovação que atende ao grupo de cerca de 50 empresas do setor metal-mecânico. 

“No ALI, os empresários são estimulados a pensar soluções para o dia a dia dos negócios e a inovar, mesmo em atitudes simples. A ideia de fazer uma visita técnica a uma grande indústria foi estimular a prática da inovação partindo do exemplo”, observa.

A indústria escolhida para a ação de benchmarking foi a Mascarello, com sede em Cascavel, que produz carrocerias e ônibus para todo o território nacional além de exportar para cerca de 20 países. “É uma empresa referência no segmento. 

Com processos muito bem definidos e de qualidade, certificações, planejamento de produção de um campo fabril bastante verticalizado”, assinala Durso.

Para a agente local de inovação Michelli Julhian Abegg, a visita foi uma oportunidade de colher bons exemplos do que pode ser feito e uma prova de que a micro e pequena empresa tem acesso à inovação. 

“Quando conheci a indústria, percebi que eles cumpriam todas as etapas do MEG (Modelo de Excelência em Gestão), que é uma das orientações que as empresas que participam do ALI recebem. Assim, puderam vivenciar o que esses processos significam na prática”, diz.

Participaram da visita técnica à Mascarello, no final de junho, 20 empresas de Cascavel, Toledo, Marechal Cândido Rondon e Pato Bragado. “O grupo saiu da rotina para observar um caso real e poder sentir os reflexos da inovação na prática. 

De lá, trouxeram ideias que podem ser aplicadas em suas empresas que, mesmo de micro e pequeno porte, podem tornar-se mais competitivas melhorando processos”, argumenta Emerson Durso.

Aproveitamento

André Rohloff, sócio-proprietário da Metalúrgica AJJ, de Marechal Cândido Rondon, foi um dos participantes da visita técnica em Cascavel. Para ele, além da observação da prática, foi importante a troca de informações com as empresas do setor metal-mecânico. 

“Somos de cidades diferentes e até somos concorrentes, mas temos, na grande maioria, as mesmas dificuldades. Encontros como estes também agregam em conhecimento de mercado”, conta.

Rohloff acrescenta que uma das ideias vindas da observação da grande indústria, que pode ser aplicada na empresa dele, é em relação à iluminação.

 “Parece muito simples, mas foi algo que me despertou durante a visita. Vamos abaixar as lâmpadas da empresa, que tem o teto muito alto, para aproveitar melhor a iluminação e ainda utilizar lâmpadas nas paredes, para melhorar a incidência da claridade aos nossos funcionários e reduzir custos”, prevê.

De Pato Bragado, o empresário André Ludwig também pontuou sobre mudanças simples que geram melhorias aos negócios. 

“Fiquei contente em saber que muitos dos processos de produção que são aplicados na Mascarello também temos na nossa empresa. Entretanto, percebi que temos dado pouca atenção a importância de se fazer reuniões e, nisso, estamos perdendo em comunicação entre os setores da empresa, gerando perdas”, pondera.

O sócio-proprietário da Eletro Ludwig complementa que para se fazer reuniões não serão necessários altos investimentos. 

“É uma inovação simples de se fazer, sem custo alto e o resultado vai ser a entrega de um produto mais completo e sem falhas ao cliente. Como trabalhamos com produtos personalizados, assim como a Mascarello, vimos que é importante haver reuniões entre os setores envolvidos desde o projeto até cada pedido de alteração”.

Agentes locais

No oeste do Paraná, o Programa Agentes Locais de Inovação atende cerca de 500 empresas desde o final de 2014 e até outubro de 2016. Segundo a coordenadora do Programa ALI na região, Nara Regiane Reinheimer Pick, eles são atendidos por nove agentes capacitados pelo Sebrae/PR. 

“A proposta do Programa é potencializar as empresas participantes. Para isso, os empresários são incentivados a realizar a implantação de ações genuínas de inovação e do modelo de excelência em gestão”, destaca.

São dez os segmentos de atuação do ALI na região: agroindústrias e restaurantes, automecânicas, construção civil, logística e transportes, metal-mecânico e implementos agrícolas, moveleiro, panificadoras e pequenos mercados, software, turismo e vestuário. 

“Os empresários recebem os atendimentos dos agentes locais de inovação de forma gratuita dentro de suas empresas. A partir de um diagnóstico individual, avaliam oportunidades e ameaças do mercado e elaboram um plano estratégico de ação. Com isso, aumentam a competitividade da empresa e reduzem os riscos”, enfatiza Nara Pick.

A atuação dos agentes locais de inovação começa com a sensibilização dos empresários. Ao aderir Programa ALI, as empresas recebem as visitas dos profissionais, que avaliarão o estágio organizacional das empresas e o grau de inovação em que o pequeno empreendimento se encontra. Com isso, agente de inovação e empresário constroem, juntos, um plano de ação para melhoria. E todo o trabalho desenvolvido é acompanhado por um consultor especialista.

Ao colocarem em prática as ações contidas no planejamento, os empresários percebem que inovar pode ser um ponto-chave no aumento de competitividade de um pequeno negócio, destaca a consultora do Sebrae/PR.

 “As mudanças sugeridas geralmente são simples e podem estar ligadas ao aperfeiçoamento ou desenvolvimento de novos produtos, processos e serviços. Com o Programa ALI, o empresário participante percebe que inovar tem mais a ver com atitude e ambiente do que com investimentos financeiros”, salienta Nara Pick.

Colaboração: Assessoria