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Yellen se soma a risco político e taxas de juros sobem

Os juros futuros encerraram a sexta-feira, 27, em alta, amparados pela cautela dos investidores diante de riscos envolvendo a divulgação de gravações que implicam integrantes do governo e por ajustes relacionados ao reforço da perspectiva de que os Estados Unidos podem apertar sua política monetária na metade deste ano. O volume de negócios, contudo, foi baixo, já que muitos investidores ficaram fora do mercado devido ao feriado, na quinta-feira, 26, de Corpus Christi. Além disso, na segunda-feira, 30, é feriado nos EUA (Memorial Day).

O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2017 apontou 13,685% ao término da sessão regular, ante 13,690% no ajuste de quarta-feira. O DI para janeiro de 2018 subiu de 12,93% para 12,99%. Entre os contratos de longo prazo, o de vencimento em janeiro de 2021 indicou 12,91%, ante 12,74% no ajuste anterior.

Internamente, os investidores avaliaram o teor de áudios gravados pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado e divulgados na quinta, envolvendo o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o ex-presidente José Sarney (PMDB-AP). Segundo Rogério Braga, sócio e diretor de gestão de renda fixa e multimercados da Quantitas Asset, desde o episódio envolvendo Romero Jucá (PMDB-RR), que terminou pedindo exoneração do cargo de ministro do Planejamento, há investidores com dúvidas sobre o quanto o governo Temer ainda vai sofrer com as gravações, "em termos de legitimidade". "O mercado vê risco de novas gravações minarem o governo Temer", afirmou.

Nos EUA, a perspectiva de aperto monetário no meio do ano ganhou força com discurso da presidente do Federal Reserve, Janet Yellen. Em evento na Universidade de Harvard, ela disse que, se a economia americana continuar a melhorar, será apropriado subir os juros básicos do país nos próximos meses.

Yellen ponderou que o aumento, quando ocorrer, será gradual e cauteloso. A presidente do Fed não mencionou nenhuma reunião em especial do banco este ano. Mas sua fala ficou em linha com comentários recentes de outros dirigentes da autoridade monetária.