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Comunidade acadêmica promove eventos em solidariedade ao haitiano agredido

Foto: Assessoria  - Comunidade acadêmica promove eventos em solidariedade ao haitiano agredido
Foto: Assessoria

Às vésperas da comemoração do Dia da Bandeira do Haiti, o clima entre os estudantes não é de festa, mas, sim, de reflexão. No sábado (14), Getho Mondésir, acadêmico haitiano de Administração Pública e Políticas Públicas da UNILA, foi agredido verbalmente e fisicamente no centro de Foz do Iguaçu.

O ato, violento, xenofóbico e racista, indignou toda a comunidade unileira que, desde então, tem-se mobilizado para discutir e provocar reflexões sobre o preconceito por que passam os estudantes – especialmente os estrangeiros e os negros. Nesta terça-feira (17), os debates concentraram-se no Auditório do Jardim Universitário, onde, em um primeiro momento, os próprios estudantes haitianos promoveram uma roda de conversa sobre o racismo.

Loudmia Amicia Pierre-Louis, discente do curso de História, abriu o evento e lembrou que os haitianos vieram para o Brasil em 2010, em função de um grave terremoto que devastou Porto Príncipe, a capital do país. “Na época, ouvia-se que o Brasil era um paraíso, onde todas as etnias viviam em perfeita harmonia”, lembra. Mas, a realidade que os imigrantes encontraram aqui é bem diferente.

Wendy Ledix, estudante de Saúde Coletiva, observou que não existe racismo no Haiti. “Nunca tínhamos sentido isso na pele. Mas, aqui no Brasil, não se discrimina só os estrangeiros. Eu sofro muito vendo um brasileiro, na sua terra, no seu país, sofrendo do racismo. Isso não pode continuar”, desabafou. Além disso, acrescentou que, desde o início, os estudantes haitianos têm tentado integrar-se à sociedade de Foz do Iguaçu, por meio da participação em projetos voltados à comunidade, em grupos atuantes na Universidade, entre outras atividades sociais e culturais. “E eu estou aqui não só porque eu preciso do Brasil, mas porque o Brasil também precisa de mim. Nós temos muito o que contribuir”, destacou.

Durante a roda de conversa, os discentes Markenley Edmond, Indy Plancher, James Berson Lalane e Barack Benedic Joseph declararam que se sentem constantemente inseguros e relataram diversas situações de discriminação por que têm passado desde que chegaram ao Brasil. Além disso, revelaram que as famílias dos estudantes haitianos estão preocupadas e muitas querem que eles voltem ao seu país de origem. “Mas eu tenho o compromisso de voltar formado, para poder ajudar. Não posso abandonar tudo agora”, frisou Barack Benedic Joseph.

Ao longo das discussões, eles reafirmaram que pretendem combater o racismo, a xenofobia, e lutar por uma sociedade mais humana e pacífica. Para encerrar, eles fizeram um apelo a toda a comunidade universitária, para que trabalhe unida no combate a todas as formas de discriminação.

Os estudantes também receberam o apoio do Consulado do Brasil no Paraguai, que enviou uma carta de solidariedade, lida pelo representante da unidade, Frederico Oliveira de Araújo.

Papo com a gestão

Os gestores da Universidade também estão engajados em discutir o problema da xenofobia, do racismo e da violência, e em buscar, com toda a comunidade acadêmica, soluções para mudar esta realidade. Após a roda de conversa dos estudantes, pró-reitores e secretários reuniram-se com um grupo de discentes para dar prosseguimento aos debates.

A pró-reitora de Extensão e reitora em exercício, Ângela Maria de Souza, pontuou que, embora o Brasil seja um país cuja maioria da população é negra, “infelizmente o racismo e a xenofobia existem. Mas, é importante lembrarmos que existe legislação que nos ampara”. Para ela, o debate deve ser cotidiano. “Que a Universidade seja um espaço permanente para debates dessa natureza”, acrescentou.

O pró-reitor de Relações Institucionais e Internacionais, Luis Evelio Garcia Acevedo, declarou que os estudantes têm todo o respaldo institucional e jamais devem sentir-se desamparados. A pró-reitora de Assuntos Estudantis, Solange Bonomo Assumpção, também pediu aos estudantes que levantem as demandas para que ações concretas possam ser tomadas.

Também participaram da roda de conversa o secretário de Comunicação Social, Anderson Andreata, e a presidente do Centro de Direitos Humanos e Memória Popular de Foz do Iguaçu, Cristina Blanco, que colocou a entidade à inteira disposição da Universidade.

Colaboração: Assessoria de imprensa