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Professores com hobby criam atmosfera mais tranquila dentro de sala de aula

Há cerca de oito anos, o sexteto de docentes compartilha a paixão pela música, além do ensino de inglês (Foto: Divulgação / Assessoria de Imprensa) - Professores com hobby criam atmosfera mais tranquila na sala de aula
Há cerca de oito anos, o sexteto de docentes compartilha a paixão pela música, além do ensino de inglês (Foto: Divulgação / Assessoria de Imprensa)

O tempo que eles trabalham por semana é 31% superior à média mundial. O dado é da segunda edição da Talis (Teaching and Learning International Survey), Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem, lançada em 2014, e se referem às condições de trabalho dos professores brasileiros de ensino fundamental. Coordenada mundialmente pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e, em âmbito nacional, pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), a pesquisa levantou informações de mais de 30 países para diagnosticar o ambiente de aprendizagem em escolas do mundo todo.

Conforme indica o estudo, além de trabalharem mais horas por semana, os docentes brasileiros dedicam até 22% a mais de tempo a outras incumbências da profissão, como preparo de aulas e correção de provas e trabalhos. O número contraria a imagem ainda muito propagada do professor como aquele cuja dedicação ao ofício se restringe exclusivamente à sala de aula, ficando a seu bel-prazer a quais atividades destinar seu tempo fora da escola.

As circunstâncias acabam por costurar um ambiente comprometedor não apenas à saúde do profissional, como também ao aprendizado do aluno, que pode perder a oportunidade de criar uma relação de confiança com o professor. De acordo com a psicóloga e coordenadora do curso de Psicologia do UniBrasil, Graciela Sanjutá Soares Faria, a atividade docente é interativa, então pressupõe certa disponibilidade em estar na presença do outro. “O esgotamento profissional derivado da falta de tempo leva os professores a simplesmente reproduzirem as aulas no piloto automático, sem pensarem em fazer as abordagens diferentes”, avalia.

Diferente do que se imagina, uma das alternativas para reverter este cenário, conforme recomenda a especialista, está ao alcance dos professores e consiste, em um primeiro momento, em identificar o tempo dedicado à docência fora do horário de trabalho. “É importante que o próprio docente dimensione o tempo que o trabalho ocupa na sua vida, pois atividades extraclasses são invisíveis apesar de alongarem a jornada. É tentador se deixar invadir por essas sutilezas, por isso é preciso cuidar da borda entre tempo de trabalho e tempo de lazer”, orienta.

Feito o diagnóstico, Graciela orienta aos profissionais buscar experiências fora do ambiente de trabalho, o que além de trazer benefícios para a saúde do professor, dá um tom mais equilibrado para a rotina. “Esse ócio criativo é fonte de reenergização e leva à reflexão de novos modos de fazer para o professor, que pode construir aulas mais personalizadas a cada aluno. Criar esse clima deixa os estudantes mais à vontade para tirar dúvidas, por exemplo”, ilustra.

Em comum, o ofício e o amor pela música

Estreitar os laços pessoais e profissionais. Este é o lema da banda Perhappiness – derivação das palavras perhaps e happiness que, em português, seria algo como “talvez felicidade” – composta por professores da Cultura Inglesa de Curitiba. Há cerca de oito anos, o sexteto de docentes compartilha a paixão pela música, além do ensino de inglês. Conforme conta a professora Jordana Mazzarotto, que ocupa a posição de baterista da banda, o projeto começou sem pretensões e expectativas, apenas como uma válvula de escape da rotina árdua, ainda que um dos requisitos da escola seja o quadro de professores exclusivos. “Hoje ela faz parte das nossas vidas e é não apenas um hobby, mas uma motivação extra para nos reunirmos”, acrescenta.

Entre acordes e melodias, o grupo se apresenta, oficialmente, no Talent Show da escola, promovido anualmente no segundo semestre. Os amantes da música também se reúnem em ensaios eventuais, quando conseguem conciliar as agendas para o encontro. “A docência é um trabalho que exige dedicação total e inclui muito mais que o tempo em sala de aula. Ter uma atividade paralela nos ajuda a fugir um pouco da rotina e dar vazão a outras paixões além do ensino. Fazer isso juntos é ainda mais gratificante e estreita nosso laços pessoais e profissionais”, destaca.

Para o superintendente geral da escola, André Rydygier de Ruediger, inciativas como essas têm reflexos diretos dentro de sala de aula, por consequência, ocupam uma posição importante dentro dos pilares da instituição. “Procuramos estimular os professores a adotarem um estilo de vida mais equilibrado. Além da preocupação com o bem-estar e a qualidade de vida que têm fora daqui, esperamos que a disposição adquirida seja transferida ao aluno, mais atento e interessado às aulas”, analisa.

Colaboração Assessoria de Imprensa