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Projeto ‘quebra’ resistência de agricultores à produção orgânica

Produtores ligados à Cooperativa da Agricultura Familiar Solidária (COAFAS), que integram o projeto de extensão "Assessoria aos agricultores familiares na implantação da agroecologia e comercialização de produtos alimentícios com escolas e universidades públicas", participaram este mês de visita monitorada à uma propriedade de produtos orgânicos, em Marilândia.

O projeto é coordenado pelo professor Luis Artur Bernardes da Rosa, do Departamento de Administração da UEL e conta com a participação de estudante e profissionais de Administração e Agronomia. Após um ano de atividades, o projeto entra na reta final beneficiando 54 famílias de agricultores da região de Lerroville, Distrito de São Luis e Rolândia, todos cooperados da COAFAS. Os produtores fornecerem alimentos principalmente para ações governamentais, como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) e Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).

Além de visitas às propriedades, os extensionistas fazem um levantamento da situação dos produtores, com o objetivo de planejar a atividade, considerando pontos fortes e fracos. O trabalho inclui a realização de palestras para levar informações atualizadas aos produtores. Segundo Renato Antunes de Miranda, integrante do projeto, ao todo foram realizadas três palestras. A primeira voltada para o mercado de orgânicos, outra sobre fertilização e a terceira enfatizando o controle de pragas por métodos orgânicos.

De acordo com Renato, agricultores ainda tem resistência à produção orgânica, por temerem pouca produtividade e prejuízos. "O agricultor está na inércia há muitos anos. Quando um deles quer mudar já é algo grande. O orgânico está lutando contra a maré, não é caro, mas demanda tempo", afirma. Ele cita como exemplo o Seo Célio, proprietário da fazenda modelo de Marilândia, que há 10 anos adotou a produção orgânica, em um período em que este tipo de atividade ainda não era tão difundido. "Casos como o dele é que deixam os outros produtores entusiasmados".

Renato afirma que a utilização de produtos orgânicos é muito comum em países desenvolvidos como Canadá e Estados Unidos. Ele conta que os EUA são os maiores consumidores de orgânico do mundo e, ao mesmo tempo, são o maior exportador de agrotóxico. "O produto vem para os países subdesenvolvidos, como Brasil", afirma.

Como administrador, Renato afirma que contribuir para a formação dos produtores, auxiliando na logística de comercialização é fundamental para o crescimento da produção orgânica. "A agronomia pensa na técnica, em como utilizar a terra. Já a administração tem muito para agregar, em auxiliar mais no planejamento do processo", explica.

(com informações da Agência UEL)