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Unila promove Congresso de Hispanistas

Foto: Assessoria - Unila promove Congresso de Hispanistas
Foto: Assessoria

Com a conferência “Interculturalidad y (de)colonialidad? Gritos, grietas y siembras desde Abya Yala”, da pesquisadora Catherine Walsh, foi aberto, na manhã de segunda-feira (22), o 9º Congresso Brasileiro de Hispanistas, que está sendo realizado pela UNILA em parceria com a Unioeste, até a quinta-feira (25). O objetivo do evento é intensificar o diálogo e o intercâmbio de experiências entre pesquisadores do hispanismo de diferentes universidades.

O Congresso traz temas relevantes como o discurso decolonial, interculturalidade, bilinguismo e plurilinguismo, literatura espanhola e afrolatina, entre outros. Até o final do evento, serão apresentados 460 trabalhos em três áreas temáticas: estudos de linguagem, ensino de línguas e estudos de literatura e cultura. O Congresso é realizado a cada dois anos, sob coordenação da diretoria da Associação Brasileira de Hispanistas que, nesta gestão, conta com docentes da UNILA e da Unioeste.

No auditório lotado da Unioeste, Catherine Walsh, professora da Universidad Andina Simón Bolívar (Equador) e da Universidade de Duke (Estados Unidos), que trabalhou com Paulo Freire e a ele dedicou a conferência, começou sua fala explicando que dar nomes é, também, um ato político e que, por isso, optou por usar o nomeAbya Yala e não América. Abya Yala é uma expressão usada pelo povo Kuna (Panamá e Colômbia) e significa “território em plena maturidade”. “Uso Abya Yala como uma opção não eurocêntrica, não antropocêntrica e não patriarcal”, disse.

Em sua conferência, ela desenvolveu sua análise a partir do entendimento de que "a interculturalidade e a decolonialidade caminham juntas; ambas são verbalidades que lutam por transformar lógicas dominantes de ser, estar, saber, pensar, sentir e viver". Para ela, a interculturalidade não é um problema de diversidade étnica, mas de diferença colonial (ontológica, política, epistêmica e de existência), que, pensada “de cima para baixo, foi e continua sendo funcional ao poder” e que, pensada “de baixo para cima”, aponta uma construção de processos e práticas de afirmação e resistência aos modelos monoculturais.

Catherine Walsh diz que vem sentindo dificuldade crescente na reflexão sobre interculturalidade diante das diferentes realidades no continente. “O que podemos perguntar é: quais são as nossas lutas e como estamos lutando? O que diz isso tudo sobre interculturalidade e decolonialidade? Sobre vida, esperança, dignidade e, também, sobre humanidade, em momentos em que a desumanização está organizando a vida social?”

Gritos

“Ultimamente falo, escrevo, sinto, penso, gritando”, afirmou, para, em seguida, mostrar exemplos de violência contra pessoas e comunidades – como o desaparecimento de 43 estudantes no México, em 2014 –, de exploração da natureza, de expropriação de modos de produção e de submissão de populações a modelos monoculturais. 

“Há o crescimento da violência, a fragmentação social; a submissão, desapropriação e eliminação de seres, saberes, memórias coletivas, territórios. Os territórios, muitos deles, ancestrais estão em terras onde existem, dividem-se e convivem epistemias de seres e saberes coletivos, estruturas, memórias e formas de vida, de natureza, de relação integral”, apontou. “E um silenciamento cada vez mais forte dos críticos”, completou. Ela também criticou a “desumanização” das universidades, que se transformam em “empresas científicas, profissionalizantes e desumanizantes”.

Grietas y siembras

“Penso que é cada vez mais necessário pensar e atuar a partir de 'fissuras' e com a tarefa de semear”, disse, fazendo uma analogia a pequenas brechas na terra, em que uma semente pode brotar e tornar-se uma planta. “Nas fissuras, é onde se constroem formas distintas de estar, fazer, ser, sentir, pensar, saber, conhecer, viver. Refiro-me às estratégias, pedagogias, práticas e metodologias, ações sociais, políticas, performáticas, espirituais que empregamos para construir, para aprofundar as fissuras”, completou.

Para ela, atualmente, as mudanças têm de ser geradas a partir de pequenas ações. “Hoje em dia, não falo de esperanças grandes, mas de esperanças pequenas, minúsculas, de onde podemos sentir que sim, podemos construir algo distinto e não mudar o mundo, porque esse é um trabalho que nenhum de nós aqui podemos assumir.”

Programação

A cerimônia de abertura do 9º Congresso Brasileiro de Hispanistas reuniu os pró-reitores da UNILA, Eduardo de Oliveira Elias (Graduação), Ângela Maria de Souza (Extensão) e Fernando Zanella (Pesquisa e Pós-Graduação); o diretor do campus da Unioeste em Foz do Iguaçu, Fernando José Martins; e a presidente da Associação Brasileira de Hispanistas, Diana Araújo Pereira, docente da UNILA.

Colaboração: Assessoria