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Angola vai recorrer ao FMI para lidar com iminente crise financeira

A Angola vai recorrer ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e pedir um pacote de resgate para ajudar o país a lidar com a queda dos preços do petróleo - que atingiu duramente sua economia -, juntando-se a crescente lista de países africanos dependentes de commodities que procuram assistência da instituição.

O anuncio representa um reviravolta para o governo que havia rejeitado a ideia de pedir ajuda ao fundo internacional, e encerra meses de especulação sobre como os países do oeste africano vão enfrentar a iminente crise em razão dos preços do petróleo, que estão historicamente baixos.

O movimento também pode trazer consequências para Portugal, uma das economias mais frágeis da zona do euro, cujas companhias investiram pesadamente em Angola nos últimos anos, em meio a uma crise econômica em casa. Portugal pediu um pacote de resgate do FMI e seus pares na União Europeia há exatamente cinco anos. Angola, uma ex-colônia portuguesa, é o quarto maior mercado de exportação dos portugueses.

A Capital Economics estima que o resgate de Angola pode ser "robusto", já que as necessidades financeiras do país podem totalizar US$ 8 bilhões neste ano, ou 9% do Produto Interno Bruto (PIB).

A ajuda deve "reduzir o risco de uma crise em razão da balança de pagamentos bagunçada". Mas a austeridade fiscal, que provavelmente acompanhará qualquer acordo, apoia nossa visão de que o crescimento será doloroso", disse John Ashbourne, da Capital Economics.

As vendas de petróleo correspondem por 95% dos ganhos de exportação de mais da metade da receita do governo. O país também se beneficiou da generosidade da China na África, que agora recua, à medida que a economia asiática desacelera.

"O governo vai trabalhar juntamente com o FMI para elaborar e implementar políticas e reformas estruturais para melhorar a estabilidade macroeconômica e financeira, incluindo por meio da disciplina fiscal", disse o Ministério das Finanças do país, em comunicado.

A nota ainda diz que as discussões sobre o programa começariam na próxima semana nas reuniões de primavera do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, em Washington.

"O FMI está pronto para ajudar a Angola a resolver os desafios econômicos que está enfrentando atualmente ao apoiar um pacote compreensivo de políticas para acelerar a diversificação da economia, enquanto protege a estabilidade financeira e macroeconômica", disse Min Zhu, diretor adjunto do FMI. Fonte: Dow Jones Newswires.