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Diplomatas tentam criar "trégua" na Síria enquanto não há data para cessar-fogo


Diplomatas concordaram nesta sexta-feira em trabalhar para implementar, em até uma semana, um "fim temporário das hostilidades" na Síria, enquanto ainda não há uma data oficial para o início do cessar-fogo.

O acordo vem em resposta ao impasse entre os Estados Unidos, que desejam um cessar-fogo imediato, e a Rússia, que quer adiá-lo para 1º de março.

Embora os ministros de Relações Exteriores tenham conseguido avanços, como um acordo para "acelerar e expandir" a entrega de ajuda humanitária em comunidades sírias sitiadas já nesta semana, a falta de uma data definitiva para o cessar-fogo impede que as negociações de paz em Genebra recomecem. As negociações de paz conduzidas pela ONU devem recomeçar em 25 de fevereiro.

Para o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, o acordo foi significativo, mas o cessar de hostilidades é apenas uma "pausa", e não substitui o cessar-fogo. Ele também admitiu que estes eram apenas "compromissos feitos no papel".

Já o primeiro-ministro da Rússia, Dmitry Medvedev, afirmou que uma operação em larga escala em solo sírio poderia ampliar ainda mais o conflito. Questionado sobre a proposta da Arábia Saudita de enviar tropas ao país, Medvedev disse que "os norte-americanos e seus aliados árabes precisam considerar se querem ou não uma guerra permanente".

Nas últimas semanas, forças do regime de Assad obtiveram grandes vitórias na batalha da metade de Aleppo controlada pelos rebeldes, em larga parte devido à assistência aérea dos russos. O movimento colocou uma pedra sobre as negociações entre ambos os lados antes mesmo delas iniciarem, no mês passado. Aleppo é a maior cidade do país.

Além da data em que o cessar-fogo pode entrar em vigor, também não há consenso sobre quais grupos sírios serão beneficiados pelo acordo. À exceção do Estado Islâmico e da Frente Al-Nusra, um braço da Al Qaeda na região, os países que participam das negociações tentam defender seus aliados e manter adversários fora da lista.

A Rússia, a Síria e o Irã querem que grupos apoiados pela Turquia, Arábia Saudita e outros países do Golfo não sejam elegíveis para o cessar-fogo. Os russos, por sua vez, também afirmaram que irão continuar os ataques aéreos em apoio às tropas de Assad e contra os grupos considerados terroristas pelos dois regimes. Até a noite da sexta-feira na Europa, não havia consenso sobre esse tema também.

Perguntado sobre o estado das negociações em Munique, Salem Meeslet, porta-voz da coalizão de oposição síria, disse: "precisamos ver o que acontece em solo sírio."

Em cinco anos de confronto, mais de 250 mil pessoas morreram no país. A crise levou à maior crise de refugiados na Europa desde a Segunda Guerra Mundial e permitiu que o Estado Islâmico criasse seu pró´rio território entre a Síria e o Iraque. Fonte: Associated Press.