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"Eu não dei", diz Cristina sobre milhões flagrados com kirchnerista

(Foto: Casa Rosada) - "Eu não dei", diz Cristina sobre milhões flagrados com kirchnerista
(Foto: Casa Rosada)

A ex-presidente argentina Cristina Kirchner comentou pela primeira vez na noite desta quinta-feira, 16, a prisão do ex-secretário de Obras de seus dois governos, José López, flagrado quanto tentava esconder em um convento US$ 8,9 milhões em bolsas de madrugada. "Alguém deu o dinheiro que José López tinha em seu poder. E não fui eu", escreveu em sua conta no Facebook.

Tão logo o ex-funcionário foi detido na quinta-feira, kirchneristas reagiram ao escândalo com uma tática de criticar López e desvinculá-lo de seu chefe, Julio de Vido, ex-ministro do Planejamento, e da própria Cristina. O kirchnerista levado a uma prisão a 50 quilômetros de Buenos Aires esteve no primeiro escalão dos governos de Néstor (2003-2007) e Cristina (2007-2015). Em algumas das transmissões em cadeia nacional que chegaram a ocorrer uma vez por semana na reta final de Cristina, López apareceu fazendo anúncios de inaugurações dialogando com a ex-presidente.

Em sua carta na rede social, Cristina se desvincula do escândalo e responde a militantes kirchneristas, em especial intelectuais que exigem uma explicação sobre a origem do dinheiro. Ela disse se dirigir aos que "estão profundamente doloridos como se alguém tivesse lhes dado um soco no estômago". Acrescentou que palavras como repudiar, rejeitar ou condenar não eram suficientes. "Quero saber quem são, além de López (secretário de Obras Públicas durante a minha gestão), os responsáveis pelo que ocorreu". Ela afirmou que o dinheiro partiu da iniciativa privada.

Sua manifestação foi rebatida pelos principais denunciantes do período kirchnerista. "Ela não pode dizer que quer saber quem pagava, como se ele não tivesse nada a ver com ela", criticou a deputada a ex-ministra da Saúde kirchnerista Graciela Ocaña, que rompeu com Cristina em 2009, ao canal TN.

A Justiça prendeu há dois meses o empresário da construção Lázaro Báez, que chegou a ganhar 80% das licitações na Província de Santa Cruz, berço político dos Kirchners. Ele é investigado em causas de lavagem de dinheiro e enriquecimento ilícito que envolvem os hotéis da família de Cristina. José López era o funcionário kirchnerista que ditava o ritmo das obras públicas e tinha influência sobre regiões beneficiadas. Há expectativa sobre as revelações que ambos poderiam fazer em caso de delações premiadas contra altos funcionários do período kirchnerista, mas nenhum dos dois deu sinais de que possa fazê-las. (Rodrigo Cavalheiro)