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EUA: Em mais de uma questão, Trump soa como um democrata

Enquanto tenta conquistar republicanos ainda céticos de sua candidatura presidencial, Donald Trump tem um desafio: em várias questões-chave, ele soa terrivelmente como um democrata. E em alguns pontos da política, como comércio e defesa nacional, o bilionário poderia encontrar-se até mesmo à esquerda de Hillary Clinton, sua provável rival democrata nas eleições gerais norte-americanas.

Trump é um republicano clássico em muitas maneiras. Ele critica fortemente as regulações corporativas e ambientais, propõe taxas de impostos significativamente baixas e se opõe firmemente contra o direito ao aborto. Mas o presumido candidato do Partido Republicano não se encaixa perfeitamente em uma caixa ideológica tradicional. "Eu acho que estou caminhando no senso comum", disse Trump em uma entrevista recente com à Associated Press. "Acho que estou caminhando sobre o que é certo. Eu não penso em termos de rótulos."

Talvez a mais clara quebra de Trump com a ortodoxia republicana seja no comércio, que a plataforma de 2012 do partido dizia ser "crucial para nossa economia" e um caminho para "mais empregos americanos, salários mais altos e um melhor padrão de vida".

Trump diz que seus pontos de vista sobre o comércio "não são realmente diferentes" dos do resto de seu partido. Mesmo assim, ele se compromete a rasgar os acordos existentes negociados por "líderes estúpidos", que não conseguiram colocar os trabalhadores americanos em primeiro lugar. Ele critica regularmente o Acordo de Livre Comércio da América do Norte, envolvendo EUA, México e Canadá, e se opõe a um pacto Ásia-Pacífico, posições compartilhada pelo candidato democrata Bernie Sanders.

"O problema é que os ideólogos, grupo muito conservador, diria que tudo tem que ser totalmente livre comércio", disse Trump. "Mas você não pode ter livre comércio se os negócios serão ruins. E isso é o que temos."

Seguridade

Trump sustentou que ele não tem planos de escalar os benefícios de Seguridade Social ou aumentar a idade de aposentadoria. Esta posição o coloca em linha

com Clinton. Ela disse que iria "defender e expandir" a Seguridade Social,

descartou a possibilidade de uma idade de aposentadoria mais elevada e se opôs a reduções em outros benefícios.

"Há um tremendo desperdício, fraude e abuso, mas estou deixando do jeito que é", disse Trump recentemente à Fox Business Network. É uma posição em desacordo com o republicano eleito melhor classificado dos EUA, Paul Ryan, de Wisconsin, que tem defendido mudanças fundamentais na Seguridade Social e outros programas de benefícios. Mas é também a posição que Trump argumenta o manter em linha com os desejos da maioria dos eleitores.

A propensão de Trump a oferecer ideias contraditórias sobre política está complicando os esforços para defini-lo. Mas recentemente ele disse que todos os seus planos são apenas sugestões, abertas a negociação mais tarde.

No plano fiscal, por exemplo, divulgado no ano passado, Trump defende a redução das taxas pagas pelas pessoas mais ricas dos Estados Unidos de 39,6% para 25% e corta os impostos para as empresas de 35% para 15%. Ele descreveu seu plano como uma bênção para a classe média. Mas peritos externos concluíram que beneficiaria desproporcionalmente os ricos e poderia inflar o déficit federal.

Perto de conquistar a nomeação, Trump agora parece estar se afastando de sua própria proposta. Embora ainda deseje taxas mais baixas para os mais ricos e para as empresas, ele agora diz que seu plano era apenas para iniciar discussões e que ele gostaria de ver benefício para a classe média mais do que qualquer outra mudança nas leis fiscais. "Nós temos que ir ao Congresso, temos que ir ao Senado, temos que ir aos nossos congressistas e temos que negociar um acordo", disse Trump recentemente. "Então é realmente uma proposta".

Trump tem uma opinião similar sobre salário mínimo. Ele disse em um debate primário republicano que os salários são muito altos, e, posteriormente, deixou claro que não apoia o salário mínimo federal. No entanto, quando fala do assunto, ele diz reconhecer a dificuldade de sobreviver com o salário mínimo atual de US$ 7,25 por hora. "Eu estou aberto a fazer algo a respeito", disse à CNN este mês.

Política Externa

No que diz respeito à política externa, Trump já parece trabalhar para pintar Clinton como um falcão de segurança nacional que poderia facilmente liderar o país para o conflito. "Em política externa, Hillary é rápida no gatilho", disse Trump. Ele listou os países onde os EUA intervieram militarmente durante seu mandato como secretária de Estado e apontou o voto dela para autorizar a guerra no Iraque enquanto ela estava no Senado.

A abordagem "America First" de Trump parece ir em direção ao isolacionismo. Um de seus conselheiros para política externa, Walid Phares, recentemente descreveu o plano como uma "terceira via". "Isso não se encaixa em qualquer gaveta", disse Phares.

Clinton tem defendido usar o "poder inteligente", uma combinação de diplomacia, ferramentas legais, econômicas, políticas e culturais para expandir a influência norte-americana. Ela acredita que os EUA têm uma capacidade única para reunir o mundo para derrotar ameaças internacionais. Ela argumenta que o país deve ser um participante ativo no cenário mundial,

nomeadamente no âmbito de alianças internacionais como a OTAN.

Trump tem criticado a aliança militar, questionando uma estrutura custeada em grande parte pelos EUA. "Acho que sou muito mais difícil do que ela no exterior", disse Trump recentemente à Fox News, quando perguntado se ele poderia vir à esquerda de Clinton em algumas questões de política externa. "Eu acredito numa defesa muito, muito forte. Acredito na paz mundial. Eu quero ajudar outros países."

Fonte: Associated Press