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EUA: John Kerry vai a Bruxelas e Londres discutir Brexit

O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, vai a Bruxelas e Londres nesta segunda-feira para consultas sobre a saída do Reino Unido da União Europeia, numa tentativa norte-americana de conter as consequências do referendo.

Falando a repórteres em Roma neste domingo, antes de uma reunião com o chanceler italiano, Paolo Gentiloni, Kerry disse que os EUA estavam desapontados com o fato de o Reino Unido ter votado para sair do bloco, mas iriam trabalhar com os líderes da União Europeia e do Reino Unido para facilitar uma transição "sensível" que funcione para manter ambos "se movendo na direção certa".

"A coisa mais importante é que todos nós, como líderes, trabalhemos juntos para dar o máximo de continuidade, de estabilidade, como a maior segurança possível, para que o mercado entenda que existem formas de minimizar a ruptura, existem maneiras de se mover de forma inteligente para frente, a fim de proteger os interesses e valores que temos em comum", disse Kerry.

Em Bruxelas, nesta segunda-feira, Kerry se reunirá com a chefe da União Europeia para Política Externa, Federica Mogherini, e mais tarde, em Londres, encontrará o secretário do Exterior do Reino Unido, Philip Hammond.

"O secretário acredita que as reuniões em Bruxelas e Londres serão uma chance de obter uma melhor percepção de como ocorrerá o processo de transição, mas também de salientar os compromissos dos Estados Unidos tanto na relação especial com o Reino Unido e quanto na parceria essencial com a União Europeia", disse o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA John Kirby.

Tanto Kerry quanto o presidente Barack Obama haviam encorajado publicamente o Reino Unido a permanecer no bloco. Comentando sobre a votação, realizada na última quinta-feira, Kerry a chamou de "uma decisão que os Estados Unidos esperavam que iria por outro caminho". "Mas isso não aconteceu", disse, acrescentando que agora o trabalho dos líderes era levar a cabo a vontade dos eleitores.

O diplomata chefe dos EUA estava em Roma neste domingo para consultas com o Gentiloni e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, encontros previamente agendados e que rapidamente foram ofuscados pela votação britânica.

Kerry disse neste domingo que mesmo sem a Grã-Bretanha a UE continua a ser uma entidade econômica poderosa, embora a votação da última semana deva encorajar o organismo a fazer algumas mudanças. "Há passos que a Europa necessita tomar para responder à expressão dos eleitores e às preocupações das pessoas em outros países", disse Kerry. "Nos Estados Unidos sempre acreditamos que uma UE unida e forte é nossa preferência como parceiro para sermos capazes de trabalhar nas questões importantes que enfrentamos hoje."

Desde que se tornaram públicos os resultados do referendo, o presidente Obama, Kerry e outras autoridades dos EUA vêm salientando que a "relação especial" entre os EUA e o Reino Unido permaneceria inalterada. Especialistas em política externa, no entanto, dizem que com a decisão do país de deixar a UE os EUA irão cada vez mais em direção aos demais países.

"O Reino Unido tem sido um dos parceiros mais importantes deste país e estará menos disposto e será menos capaz de desempenhar esse papel", disse o presidente do Conselho de Relações Exteriores, Richard Haas, na sexta-feira, depois da votação britânica. "O resultado é que a relação especial será muito menos especial."

Fonte: Dow Jones Newswire