21°
Máx
17°
Min

Governo da Ucrânia sobrevive a voto de desconfiança no parlamento

O governo do primeiro-ministro da Ucrânia, Arseniy Yatsenyuk, sobreviveu a um voto de desconfiança nesta terça-feira, embora a maioria dos legisladores tenham criticado duramente o seu trabalho.

O voto é um reflexo das fortes tensões políticas em meio aos problemas econômicos do país, que corroeram o apoio público ao gabinete de Yatsenyuk. O fracasso em passar uma moção vem do medo dos legisladores de que isso possa levar a um colapso da coligação, bem como a eleições antecipadas.

Mais cedo, o presidente ucraniano Petro Poroshenko pediu pela renúncia do primeiro-ministro, além de novas indicações para o ministério da nação em crise. "A tensão entre o governo e as facções é tamanha, que virou uma ameaça ao funcionamento da coalizão", disse o presidente em um comunicado.

Yatsenyuk, por sua vez, defendeu o desempenho de seu gabinete durante o áspero debate, dizendo que "ódio e raiva não são os sentimentos que devem unir a classe política".

A moção de desconfiança teve 194 votos no Conselho Superior da Ucrânia. Eram necessários 226 votos para destituir o gabinete. Minutos antes da votação, 247 legisladores consideraram o desempenho do gabinete insatisfatório.

Yuri Lutsenko, que lidera a facção de Poroshenko no Parlamento, criticou duramente Yatsenyuk e pediu para que ele renunciasse. "Setenta por cento das pessoas querem que você renuncie", disse. "O país não pode mais tolerar a inércia do governo".

Apesar da retórica, tanto Poroshenko quanto Yatsenyuk estão aflitos para evitar eleições antecipadas, já que ambos os partidos recuaram em recentes pesquisas de opinião, em decorrência da soma da frustração pública com a falta de progresso do governo.

Os blocos liderados pelo primeiro-ministro e pelo presidente são os maiores do Parlamento e têm disputado um cabo-de-guerra por influência que acabou por impedir reformas.

Yatsenyuk se tornou primeiro-ministro depois que o presidente corrupto - e simpático à Rússia - foi destituído em fevereiro de 2014, na sequência de protestos em massa. Poroshenko foi eleito vários meses depois, com amplo apoio e aprovação de líderes ocidentais.

No entanto, uma série de brigas entre os legisladores ucranianos, que geralmente envolviam membros dos blocos de Yatsenyuk e Poroshenko, colocaram sob tensão a paciência pública e corroeu a confiança do Ocidente.

Na semana passada, a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, ameaçou suspender a entrega de um pacote de resgate de US$ 17,5 bilhões que o país conta para manter a economia. Fonte: Dow Jones Newswires.