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Grécia: premiê e presidente do BC buscam solução sobre disputa no Banco Attica

O governo da Grécia e o banco central do país buscam uma solução para uma disputa de poder a respeito do banco grego Attica, que reacendeu as tensões entre o BC grego e o partido governista de esquerda Syriza. O primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, se reuniu com o presidente do Banco da Grécia, Yannis Stournaras, neste sábado, em uma tentativa de suavizar uma disputa sobre quem deve dirigir o Banco Attica, uma instituição que financia empreiteiros de obras públicas, que tem 57% de seus empréstimos inadimplentes. "Não há nenhum plano para me afastar", disse Stournaras, negando a repórteres alegações de que o governo estaria tentando enfraquecer a independência do banco central. Um alto funcionário do governo disse que havia "nenhuma sombra" sobre as relações com o Banco da Grécia.

A disputa se agravou nos últimos dias, quando a polícia realizou buscas em uma empresa de propriedade da esposa de Stournaras, na manhã depois que o presidente do BC grego disse ao governo que não aprovaria o candidato indicado para o cargo de executivo-chefe do Banco Attica. O momento da investigação, relacionada a uma suspeita de corrupção do setor da saúde, aumentou as preocupações recentes na Grécia que o governo estaria usando o sistema de Justiça para perseguir inimigos políticos. O governo nega e diz que o Judiciário é independente. Tsipras e Stournaras enviaram sinais de paz neste fim de semana, prometendo trabalhar juntos para reviver o setor bancário da Grécia.

Desde que chegou ao poder em 2015, Tsipras tem enfrentado dificuldades para cooperar com o chefe do banco central, que criticou a relutância de Syriza em implementar os termos do resgate internacional da Grécia. O Attica, que provocou a mais recente tensão, é um pequeno banco que tem participação majoritária do fundo de pensões TSMEDE, da poderosa associação de engenheiros civis e empreiteiros. Essas profissões têm ligações estreitas com o Syriza, cuja liderança inclui vários engenheiros civis.

O Banco da Grécia e o braço de supervisão do Banco Central Europeu realizaram uma auditoria no Banco Attica nos últimos meses, depois que a instituição não conseguiu completar um esforço de aumento de capital que integra a recapitalização do setor bancário da Grécia. A auditoria constatou que a concessão de crédito em condições favoráveis e com garantias ruins a empresas de construção tinha contribuído para a montanha de empréstimos podres do banco. Stournaras disse no sábado que vai passar os resultados da auditoria à Promotoria Pública para que haja uma investigação se houve crime. O Banco Attica não foi localizado para comentar o assunto. Autoridades gregas estão pressionando os conselhos dos bancos do país este ano, como exigido pelos credores europeus da Grécia, que querem uma gestão mais profissional para substituir os executivos com conexões políticas.

Em 6 de setembro, funcionários do Banco da Grécia e o governo chegaram a acordo sobre um novo candidato a CEO do Attica Bank, um banqueiro recomendado por headhunters. Mas outros membros do Syriza queriam um ex-veterano político de centro-esquerda como CEO. Em 7 de setembro, o fundo de pensão dos engenheiros civis conseguiu nomear o político e outros três novos diretores de sua escolha. O Banco da Grécia bloqueou as quatro nomeações. Stournaras informou o governo sobre a decisão na última quarta-feira.

Na manhã seguinte, investigadores fizeram uma busca nos escritórios da Mindwork Business Solutions, uma empresa de publicidade de propriedade da esposa de Stournaras, Lina Nikolopoulou. A busca de 12 horas da empresa fazia parte de uma investigação sobre um alegado desvio de fundos por um organismo de saúde pública. A empresa de Lina faz parte de um consórcio que ganhou contratos para uma campanha de conscientização sobre o câncer. Ela nega qualquer irregularidade e não foi formalmente acusada. Lina disse que o verdadeiro alvo da investigação é o seu marido. O governo negou ter ordenado a incursão.

O presidente do banco central e o primeiro-ministro conversaram por telefone na sexta-feira, antes de se encontrar no fim de semana para discutir o Banco Attica, de acordo com fontes familiarizadas com o assunto. Também esteve presente na reunião o vice-primeiro-ministro Yannis Dragasakis. O Banco da Grécia está determinado a defender o seu veredicto sobre quem está apto a dirigir o Banco Attica e preparado para colocar um supervisor no controle direto do banco, se o conselho resistir, disse um funcionário do BC grego. Um oficial do escritório de Dragasakis disse que o governo, o Banco da Grécia e os acionistas do Banco Attica estão procurando uma solução consensual. Fonte: Dow Jones Newswires.