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Milhares marcham contra candidatura presidencial de Keiko Fujimori no Peru

Milhares de pessoas marcharam na noite de terça-feira em várias cidades do Peru, posicionando-se contra a candidatura presidencial de Keiko Fujimori. Os protestos foram realizados no aniversário de 24 anos do chamado "autogolpe" de seu pai, o então presidente Alberto Fujimori, que dissolveu o Congresso e o Judiciário para concentrar poder.

A polícia enviou 2.500 agentes às ruas de Lima para manter a ordem durante a marcha. Vários manifestantes lembraram que durante o governo de Fujimori houve mais de 300 mil esterilizações forçadas contra mulheres pobres nos Andes, a venda de empresas públicas e irregularidades no uso do dinheiro público, estimadas em 2004 pela Anistia Internacional em US$ 600 milhões. O ex-presidente está preso e cumpre sentença de 25 anos de prisão por delitos contra os direitos humanos e por corrupção.

Em Cuzco também houve protestos, com universitários e sindicalistas com cartazes com os dizeres "fujimorismo nunca mais". Outras manifestações ocorreram em cidades da costa do Pacífico nos Andes e na Amazônia peruana.

Os protestos ocorrem dias antes de eleições presidenciais no Peru, nas quais a filha de Fujimori, Keiko, é candidata e lidera nas pesquisas de intenção de voto. Na terça-feira, Keiko, de 40 anos, anunciou que suspenderia suas atividades e fecharia as sedes de seu partido, para evitar confrontos. No domingo, durante um debate presidencial, ela assinou um papel no qual enumerava uma série de compromissos para garantir os direitos humanos, caso seja eleita, e repudiou o golpe dado por seu pai.

O presidente Ollanta Humala afirmou que estava satisfeito pelo fato de que "milhares de jovens saiam a marchar e a afirmar a democracia". Depois, afirmou que não tinha manifestado preferência nem oposição por nenhum candidato em particular.

Neste domingo, 23 milhões de peruanos irão às urnas para o primeiro turno da eleição presidencial. Caso nenhum candidato obtenha mais de 50% dos votos, haverá segundo turno em 5 de junho. O vencedor substituirá Humala em 28 de julho na presidência. Keiko aparece à frente nas pesquisas, porém sem vantagem suficiente para ganhar no primeiro turno. Fonte: Associated Press.