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Missa de Papa na Geórgia não tem participação de dirigentes da igreja ortodoxa

Os esforços do Papa Francisco para melhorar o relacionamento com a Igreja Ortodoxa da Geórgia tiveram um revés público neste sábado, após o patriarca do país decidir não enviar uma delegação oficial para a missa rezada pelo pontífice e reiterar que os ortodoxos não podem participar de cerimônias católicas.

Francisco, no entanto, manteve a agenda após se encontrar com líderes da igreja local e acender uma vela no principal local de culto ortodoxo do país. Ele afirmou que as divisões históricas dentro do cristianismo laceraram os fiéis e que elas precisam ser curadas através da paciência, confiança e diálogo.

Os desenvolvimento das da visita de dois dias do papa à Geórgia foram mais uma mostra do progresso "um passo à frente, dois para trás" que caracteriza a historicamente a reaproximação entre ambos os lados. No domingo, Francisco se encaminha para o Azerbaijão, país predominantemente muçulmano onde a igreja católica mantém boas relações com o governo apesar de alegações, pelo Ocidente, de supressão da oposição e abuso dos direitos humanos.

Em sua programação inicial, a porta-voz do Vaticano havia informado que o Patriarca da Igreja Ortodoxa da Geórgia iria enviar uma delegação à missa em Tbilisi "como um sinal de ligação entre as duas igrejas", uma sugestão de que o tratamento frio dispensado ao papa João Paulo II em 1999 tinha sido relativizado.

Em sua chegada, Francisco teve uma recepção inesperadamente calorosa por parte do Patriarca Ilia, que o chamou de "querido irmão" e brindou sua vinda dizendo "que Deus abençoe a Igreja Católica de Roma".

No entanto, a porta-voz do patriarca, Nato Asatiani, afirmou neste sábado que a delegação decidiu ficar de fora "por acordo mútuo". O patriarcado atualizou um comunicado em seu site afirmando que "enquanto houve diferenças dogmáticas entre as igrejas, cristãos ortodoxos não podem participar de cerimônias católicas".

A decisão aparentemente aconteceu após a chegada de Francisco à Tbilisi, na sexta-feira, que coincidiu com protestos de grupos ortodoxos de linha dura.

O porta-voz do Vaticano, Greg Burke, afirmou que o papa aceitou a decisão do patriarca de não participar da missa, que foi transmitida no encontro da sexta-feira. Francisco deveria agradecer à comitiva no fim da missa, mas o fez "aos fiéis ortodoxos" que estiveram presentes.

O pontífice insistiu que os católicos não devem tentar converter os ortodoxos, afirmando que eles também são irmãos e irmãs do mesmo Deus. Fonte: Associated Press.