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Moderados lideram disputa em Teerã nas eleições parlamentares do Irã

Os moderados lideram a eleição parlamentar no Irã, para as cadeiras que representam a capital do país, um sinal importante nas primeiras eleições do país depois do histórico acordo nuclear com os Estados Unidos e outras potências mundiais.

A votação é vista como um referendo sobre a liderança do presidente Hassan Rouhani, considerado relativamente moderado dentro do regime clerical ultraconservador que foi eleito em 2013, prometendo prosperidade através de melhores relações com o mundo.

Os moderados também lideram a eleição para os 88 membros da Assembleia de Sábios, um corpo clerical que vai escolher um sucessor para o líder supremo aiatolá Ali Khamenei.

A expectativa é se o sucesso alcançado por Rouhani em Teerã será replicado totalmente em cidades menores e áreas rurais do Irã, onde o resultado para os moderados no período inicial da votação não foi tão clara. Teerã tem sido um bastião para os moderados, apesar de seus bairros mais pobres do sul serem um reduto de linha dura. Autoridades eleitorais têm alertado que uma contagem final vai levar tempo.

Os conservadores e os linhas-duras atualmente dominam o parlamento, mas os moderados e reformistas esperam uma onda de apoio, na sequência do acordo nuclear. Candidatos de uma aliança dos moderados e reformistas pró-Rouhani estavam à frente nas corridas para todos os 30 assentos de Teerã no parlamento de 290 membros, com dois terços dos votos da eleição de sexta-feira contados, de acordo com a televisão estatal.

A administração de Rouhani liderou o acordo nuclear, que impõe restrições sobre as atividades nucleares do Irã, em troca de alívio nas medidas de sanções internacionais que prejudicam a economia do país.

Os poderes do Parlamento são limitados no âmbito de um sistema que concentra o poder nas mãos do líder supremo, que tem a palavra final sobre a maioria dos assuntos de Estado. O legislativo aprova leis. Mas elas devem, então, ser aprovada pelo Conselho dos Guardiães de 12 membros, um corpo estreitamente supervisionado pelo líder supremo.

O Conselho tem também o poder de vetar candidatos políticos e aprovar os resultados das eleições. Metade de seus membros são nomeados por Khamenei, enquanto a outra metade é nomeada pelo chefe do Judiciário, que também é nomeado por Khamenei.

Críticos ocidentais dizem que as eleições no Irã não são livres e justas, citando o papel proeminente do Conselho de Guardiães para decidir quem pode se candidatar. Iranianos protestaram contra o sistema eleitoral em 2009, após a reeleição contestada do linha-dura Mahmoud Ahmadinejad. Uma onda de protestos e distúrbios na Revolução Verde foi seguida por uma forte repressão.

As autoridades eleitorais dizem que pelo menos 60% dos 55 milhões de eleitores do Irã foram às urnas na sexta-feira, embora a estimativa comparecimento pode aumentar à medida que mais cédulas são contabilizadas. Os números oficiais mostraram taxa de participação na última eleição parlamentar, em 2012, de cerca de 64%. Um segundo turno está marcado para abril, para disputas onde o principal candidato finalize com menos de 25% dos votos. Fonte: Dow Jones Newswires.