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Moderados obtêm maioria na Assembleia dos Especialistas no Irã

Os políticos mais moderados do Irã conseguiram impor uma derrota à linha-dura do país, ao obter a maioria das cadeiras na Assembleia dos Especialistas, um órgão clerical que tem entre suas funções nomear o líder supremo. A votação para esse órgão foi feita na semana passada, simultaneamente à eleição do Parlamento, que terá resultados finais divulgados mais tarde.

O Ministério do Interior informou que os moderados obtiveram 59% das vagas na Assembleia de Especialistas. Ainda que o resultado possa ser visto como histórico, importantes nomes conservadores, como o aiatolá Ahmad Jannati, foram reeleitos. Jannati, que terminou em último na disputa em Teerã, também é o líder linha-dura do Conselho dos Guardiães, um órgão que não é preenchido por votação e que tem o poder de vetar candidatos nas eleições. Ele tem sido uma poderosa força a se opor a reformas democráticas e a desqualificar candidatos reformistas da disputa parlamentar e para a assembleia clerical.

As derrotas mais surpreendentes na assembleia clerical foram de alguns importantes membros da linha-dura, entre eles o aiatolá Mohammad Yazdi, atual chefe da Assembleia dos Especialistas e que não foi reeleito. O mentor do ex-presidente linha-dura Mahmoud Ahmadinejad, Mohammad Taqi Mesbah Yazdi, tampouco conseguiu se manter no órgão.

A Assembleia dos Especialistas tem função similar à do Colégio dos Cardeais do Vaticano. Em algum momento, o órgão terá de apontar o sucessor do atual líder supremo, aiatolá Ali Khamenei. Também pode em tese desafiar diretamente o comando de Khamenei sobre o país, algo que nunca foi feito. A assembleia é eleita a cada oito anos. Khamenei tem 76 anos e passou por uma cirurgia de próstata em 2014, o que gerou especulações sobre seu estado de saúde.

A disputa eleitoral realizada na sexta-feira foi a primeira no país desde o acordo nuclear com as potências, no ano passado, que levou à retirada de sanções internacionais contra o Irã.

Na disputa parlamentar, nenhuma das três correntes políticas principais do país - os reformistas, os conservadores e a linha-dura - deve conseguir uma maioria absoluta na Casa de 290 lugares. Os resultados parciais indicam, porém, que os reformistas podem ter seu melhor resultado em mais de uma década. Fonte: Associated Press.